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A elegância vigorosa de “Eternos”, de Chloe Zhao

Antes de tudo é preciso dizer que Eternos é um filme estranho. Mas essa estranheza acaba sendo muito bem vinda, sobretudo por ser de uma diretora tão substancial em sua visão, Chloe Zhao. A mesma que esse ano ganhou Oscar de melhor filme por Nomadland, além do merecidíssimo, de melhor diretora. Chloe é uma diretora profunda e suas cenas, consequentemente, têm muita profundidade. Quando que num filme da Marvel teríamos tanta coerência na narrativa?

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Eternos tem a missão de popularizar o lado mais místico da Marvel. Um grupo de heróis milenares precisa se reunir para destruir os inimigos mais antigos da humanidade: os Deviantes. O desafio dessa introdução – da história ao universo Marvel e da diretora ao gênero – era desenvolver os dez personagens principais, numa história não linear, voltando a grandes eventos Históricos ao longo de 7 mil anos. Óbvio que essa complexidade toda traria alguns problemas narrativos, mas que a diretora contornou quase todos.

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Há uma elegância no tom de todo filme, especialmente no cuidado no desenvolvimento dos personagens. É nítido o esforço do roteiro (também de Chloe, junto com Patrick Burleigh e Ryan Firpo) para fugir dos arquétipos ao entrelaçar personalidades heroicas com suas premissas de semideuses. Isso dá muito certo com Sersi (Gemma Chan) e especialmente com Druig (Barry Keoghan), mas talvez não dê tempo para se concretizar com a guerreira Thena (uma Angelina Jolie suntuosa).

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Toda atenção que Chloe dispensou ao humano e até ao detalhismo (algo celestial) do conceito estético do todo, a distraiu dos efeitos especiais que são protocolares e no ápice final, visivelmente frágeis. Elegância. A fotografia abrangente e delicada, o céu crepuscular e personagens elaborando suas traumas, marcas da diretora, se encaixam bem na fantasia proposta pela Marvel, sem soar chato. E a diretora sabe trabalhar bem o clímax provindo de tanto estudo de personagem. Assim, Eternos ganha com sua estranheza. É um frescor para a própria sobrevivência da Marvel. E para nosso tempo gasto imerso em seu universo.

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Nota: Excelente – 4 de 5 estrelas

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Ant.
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