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Casas e despedidas: Quando Hitler Roubou meu Coelho Cor-de-Rosa

Onde é a nossa casa? Essa é a pergunta que permeia toda a trama de “Quando Hitler Roubou meu Coelho Cor-de-Rosa”, filme da diretora alemã Carolina Link, que é uma adaptação do romance infantil semiautobiográfico de Judith Kerr (1923-2019).

O longa narra a história de uma família judia cujo pai Arthur Kemper (Oliver Masucci) é um escritor opositor ao partido nazista, que está prestes a se estabelecer no poder na Alemanha. A proximidade das eleições e de um resultado favorável à Hitler leva a família a iniciar uma fuga para outros países da Europa.

No centro da trama a diretora coloca a filha mais nova Anna (Riva Krymalowski), que ainda não consegue compreender os motivos que levam sua família a deixar sua casa e sua cidade, e nem mesmo a gravidade da situação na qual eles se encontram. A cada vez que precisam se deslocar para outro país, Anna acha que está mais perto de retornar à sua rotina e à sua casa em Berlim.

Quando a família Kemper sai de seu apartamento de classe abastada em Berlim, todos precisam abrir mão de seus bens valiosos. A mãe, Dorothea (Carla Juri), uma mulher dedicada às artes, tem que abandonar seu piano. Já Anna precisa lidar com a dor de duas separações: ela tem que deixar para trás seu coelho cor-de-rosa, pois só pode levar um brinquedo na fuga, e principalmente precisa deixar Heimpi (Ursula Werner), a empregada da casa, com quem tem uma relação afetiva muito profunda e sincera.

A trama traz uma certa angústia para aqueles que conhecem a história da Segunda Guerra Mundial, já que a família se desloca entre países que sediaram o conflito. O espectador passa o filme inteiro questionando se os Kemper serão atingidos pela guerra, muitas vezes tendo a nítida sensação de que algo terrível irá acontecer a algum deles na cena seguinte. Isso parece ser proposital e a diretora se utiliza das tradicionais cenas de despedidas pré-tragédias para ampliar essa angústia no público. Isso torna o filme mais instigante e desconstrói os clichês a que estamos habituados nos dramas cinematográficos.

Anna é aquela criança que está na idade de perguntar a respeito de tudo, mas seu questionamento principal é sempre sobre o retorno à sua casa. O filme mostra como ela vai aprendendo aos poucos que esse retorno é cada vez mais improvável, e como vai moldando dentro de si as suas despedidas. Cada vez que a família está pronta para sair de viagem, com as malas já dentro do carro, Anna não está junto dos pais; ela está se despedindo de cada uma das coisas que importam para ela naquele local, seja de uma parede, seja de uma mesa, seja de um armário. Já que as pessoas às quais Anna se apega vão cada vez mais rareando, a menina se despede das coisas inanimadas como se fossem os amigos que ela vai deixando para trás, enquanto se pergunta quando será a vez da sua última despedida até a sua verdadeira casa.

Nota: Ótimo – 3,5 de 5 estrelas

Casas e despedidas: Quando Hitler Roubou meu Coelho Cor-de-Rosa
3.5 / 5 Crítico
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