Sempre haverá ruído na representação cinematográfica das obras de Stephen King. Para o bem e para o mal. Interpretação artística é isso. Cemitério Maldito é um exemplo. Creio até que seu nome ficou gravado no imaginário do gênero, mais pelo levante prolífero de filmes de terror (com um pé no trash) dos anos 80 do que por méritos próprios, uma vez que é uma produção frágil e literalmente mal interpretada. A nova adaptação do ótimo livro de King já vem com essa “facilidade”, e, nesse sentido, até funciona. Nesse sentido, repito.
A trama é a mesma: uma família se muda de Boston para o interior do Maine em busca de uma vida mais sossegada. A casa deles tem de fundos uma trilha que leva a uma área florestal e existe um cemitério de animais de estimação construído pelas crianças da cidade que perderam seus amigos de quatro patas para a estrada que rodeia o lugar. É então que o gatinho dos Creed morre atropelado e, por causa de um gesto de boa vontade do vizinho Jud (John Lithgow), o patriarca da família, Louis (Jason Clarke, ótimo) acaba envolvendo todos numa espiral de poderes malignos que refletem questões sobre o luto no seio familiar.
"Cemitério Maldito": a criatura que não faz jus ao criador Stephen King | Críticas | Revista Ambrosia
Nem preciso levantar discussões batidas aqui sobre propriedades de uma adaptação literária, mas é inegável que o filme escamoteia flagrantemente a densidade que o autor imprimiu no livro, para além do terror como gênero diluído. Tanto que os dramas pessoais de alguns personagens como Rachel (Amy Seimetz) são poucos trabalhados no todo, e num momento em que as histórias vão convergindo, soa confusa.
O roteiro também pouco substancializa o próprio cemitério como elemento dramático, ficando mais expositivo apenas como diapasão para reforçar seu gênero. Há de se reconhecer que a adaptação trouxe uma ideia melhor para sua modernização que é o de usar a filha como ponto de virada, e não o filho bebê. Faz bem mais sentido até para o envolvimento emocional do espectador.
"Cemitério Maldito": a criatura que não faz jus ao criador Stephen King | Críticas | Revista Ambrosia
Entretanto, os diretores Kevin Kölsch e Dennis Widmyer, pouco imergiram na densidade do material original, procurando o caminho tendenciosamente fácil. Assim, Cemitério Maldito se atualiza em comparação ao filme anterior, mas continua muito além da força da obra literária de King
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