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Entre existência e a resistência, temos “Small Axe”

Em 2018, quando esteve aqui, o cineasta inglês Steve McQueen disse em entrevista: “o Brasil é um dos países mais racistas que já estive”. Um dos melhores diretores atuais e que constrói suas obras aliando precisão técnica com complexidade dramática de suas expertises como artista plástico e visual, vem procurando aprofundar as reflexões sobre as bases do racismo estrutural no mundo. Sua percepção sobre Brasil é reflexo do que viveu desde a infância em Londres. Não por acaso, ganhou o oscar com o visceral 12 Anos de Escravidão.

Small Axe é talvez seu trabalho mais pessoal sobre essa perspectiva. É uma série de televisão, feita pela BBC. Bem, não uma série em si, mas uma antologia de 5 filmes que se convergem pelo discurso. São histórias singulares, mas que dão uma mostragem da virulência racial na Inglaterra dos anos 1960 a 1980. “Mangrove”, “Lovers Rock”, “Red, White and Blue”, “Alex Weatle” e “Educação” compõem histórias que mesmo sob o verniz certeiro de McQueen expõem a crueldade consentida pelas instituições e sociedade contra a comunidade caribenha anglófona britânica.

Mas Steve equilibra denúncia com memória afetiva pela maneira como insere a música (sobretudo o reggae) e as “blues parties” de sua infância, para contextualizar que a luta sempre foi a resposta para sobrevivência. Os 5 filmes de alguma maneira, se alinham nisso. Mesmo duríssimos em seus recortes, estabelecem também alguma ternura para seus oprimidos.

Todos os filmes são ótimos, mas “Lovers Rock” é o  mais próximo do que se entende como obra-prima. Ali, a percepção espacial do lugar do negro do mundo é maior e mais pungente, e com uma seleção musical brilhantemente criteriosa. É cinema na sua mais delicada essência. McQueen em estado de graça.

Small Axe é daqueles trabalhos que são serviço de utilidade pública. Por isso seu título foi pinçado de uma canção de Bob Marley, provinda de um provérbio africano que versa sobre pequenos machados que podem cortar as árvores maiores. Steve McQueen verte a metáfora do provérbio em uma obra de resistência.

Nota: Épico – 5 de 5 estrelas

Entre existência e a resistência, temos “Small Axe”
5 / 5 Crítico
Avaliação

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