Festival do Rio: A absoluta presença de Regina Casé em "Três Verões" | Críticas | Revista Ambrosia
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Festival do Rio: A absoluta presença de Regina Casé em “Três Verões”

Regina Casé é aquele tipo de atriz cuja entrega vem com tamanha propriedade que exclui qualquer tentativa de imaginarmos outra atriz desempenhando o mesmo papel que estiver fazendo. Esse valor agregado potencializa os filmes que atua, até mesmo quando em alguma medida ela faça mais sentido que o sentido que o filme vai tomando.

Três Verões é talvez o trabalho mais cerebral de Sandra Kogut. Diferente de suas duas ficções anteriores, o lindíssimo Mutum e o melancólico Campo Grande, a diretora investe numa narrativa mais objetiva permeado por um discurso claro: a falência da sociedade refletida nas consequências da operação Lava Jato sobre uma família de um dos envolvidos em corrupção.

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Madá (Casé) é a caseira da mansão de veraneio dessa família. O filme foca em três verões sob a perspetiva dela. Com roteiro da própria diretora, com Iana Cossoy Paro, a história se desenvolve com sua costumeira sensibilidade, sobretudo pela olhar da cozinha, o que abre possibilidades para Regina deleitar o espectador com sua naturalidade em universalizar escalas sociais.

É muito bem realizada a transformação não só física pelo qual a família/casa vai passando, mas também o quanto os personagens principais (Madá e seus companheiros de cozinha) vão se desenvolvendo a cada verão retratado. Até que chega no terceiro ato, quando o roteiro cai no esquematismo que serve mais como gatilho emocional do que como fluxo de desenvolvimento da história.

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Mas é aí que Regina, que tem a personagem em suas mãos, comprova o quanto a dimensão do seu trabalho cênico se torna maior que a fragilidade na condução final do filme. Por ela, a conclusão do longa deixa a superficialidade e se transforma em singela comoção. Madá é a alma de Três Verões. Três Verões é um agridoce reflexo do Brasil espremido no hífen entre o sócio e o político.

Cotação: Excelente (4 de 5 estrelas)

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