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Festival do Rio: “Anna” e a complexidade entre o real e o desejo

Heitor Dhalia trouxe para a Premiere Brasil do Festival do Rio 2019 o que arrisco dizer ser o seu melhor filme, com Anna. Em seu primeiro trabalho como atriz, a instintiva Bela Leindecker interpreta a personagem título.

Apesar disso, a relação que a personagem (uma jovem atriz encarando o desafio de atuar em Hamlet) com o diretor do espetáculo (vivido pelo veterano argentino Boy Olmi), que também enfrenta o desafio de remontar o clássico de Shakespeare após uma mal sucedida tentativa no passado, é o grande protagonismo de todo o filme.

Festival do Rio: "Anna" e a complexidade entre o real e o desejo | Críticas | Revista Ambrosia

Com roteiro do próprio, com uma bem vinda colaboração feminina de Nara Chaib, a história trafega com veemência pelas nuances do jogo de poder que emana da relação entre diretor e atriz na vulnerabilidade de um espaço cênico. Esse misto de intimidade e tensão é ilustrado por uma fotografia sombria e bem aproximada de Azul Serra, realçando exatamente a tensão instintiva, sexual e hierárquica que carrega todo a dramaturgia proposta por Dhalia.

Há também um olhar sensível pelo universo teatral das coxias, das relações cotidianas entre os atores, o que humaniza ainda mais o meio diante da fronteira entre ficção e desejo real à espreita o tempo inteiro entre eles. Anna diz muito e sem prescindir da subjetividade, o que o destaca dentre os selecionados de 2019 no Festival.

Cotação: Extraordinário (4,5 de 5 estrelas)

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