Minissérie “Catherine the Great” é suntuosa, mas não empolga | Críticas | Revista Ambrosia
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Minissérie “Catherine the Great” é suntuosa, mas não empolga

As intrigas da Corte – de qualquer Corte, mas em especial das Cortes europeias de antigamente, cheias de glamour no imaginário popular – eram sempre emocionantes. Essas intrigas acabaram chamando mais atenção do que os próprios feitos dos reis e rainhas. Não faltam conspirações na história de qualquer monarquia. E conspirações são excelentes para movimentar um filme ou série, por isso a expectativa para a minissérie da HBO Catherine the Great era alta.

Catarina II (Helen Mirren), imperatriz da Rússia, chegou ao poder após um golpe e depois da morte bastante suspeita de seu marido, o imperador Pedro III. Dali em diante, não faltaram homens que quiseram usurpar seu trono. Alguns deles a apoiaram desde o começo, cheios de segundas intenções, como o conde Grigory Orlov (Richard Roxburgh) e seu irmão, Alexei. Outros sempre estiveram lá, como Ivan, o primo do imperador morto, que está preso em São Petersburgo. Ainda outros chegaram com o tempo, como é o caso do tenente Potemkin (Jason Clarke). Alguns estão distantes, como o líder messiânico delirante Pugatchov. Outros, bem próximos, como Paulo (Joseph Quinn), filho da imperatriz. E há também os camponeses, que ao mesmo tempo em que amam Catarina, preferiam que a Rússia fosse governada por um homem.

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Ao longo de quatro episódios, além do romance central entre Catarina e Potemkin, são explorados fatos como o fim da servidão no país, a anexação da Crimeia, a questão de alianças para sucessão e a luxuosa e libertina vida na corte.

A imperatriz Catarina II é uma figura fascinante, tanto que esta não é a primeira produção sobre a monarca. Entre muitos filmes, um se destaca: em 1934, o filme A Imperatriz Vermelha contou a chegada de Catarina à Rússia, vinda da Corte alemã, seus muitos problemas de adaptação e o golpe que a fez subir ao trono no lugar do marido, o imbecil e sanguinário Pedro III. Neste filme de belíssima direção de arte, Catarina é interpretada pela diva Marlene Dietrich.

Uma das principais reclamações dos espectadores da minissérie foi que Helen Mirren estava velha demais para o papel, pois a verdadeira imperatriz Catarina tinha 35 anos quando conheceu o tenente Potemkin. Considerando que a minissérie segue Catarina até sua morte, aos 67 anos, a escolha foi acertada, embora gere estranhamento quando descobrimos a idade presumida da monarca.

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Mesmo assim, é na interpretação de Helen Mirren, também produtora da minissérie, que reside a força maior da produção. Ora governando com mão de ferro, ora mais doce e apaixonada, sua Catarina, perfeito exemplo de déspota esclarecida, parece viver em constante vigília para evitar que usurpem seu poder.

Toda a direção de arte da minissérie Catherine the Great merece ser elogiada – e é interessante compará-la com as escolhas estéticas do filme de 1934. Na minissérie, todo o castelo da imperatriz é muito brilhante e os tons de vermelho se destacam. Os candelabros chamam muita atenção, assim como as cadeiras douradas no longo corredor que a imperatriz percorre com frequência para ir a suas reuniões de Estado.

O filme A Imperatriz Vermelha é em preto e branco e as escolhas decorativas do palácio são bastante distintas. Por todos os lados há gárgulas, estátuas de homens atravessados por flechas, portas pesadíssimas. É um ambiente opressor, ao qual Catarina se acostuma após fortalecer seu espírito – até chegar ao ponto de ter mais sangue frio do que sentimentos.
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No Brasil, o insucesso de Catherine the Great pode ser explicado pela escolha de horário: os dois primeiros episódios foram exibidos às 23 horas da segunda-feira, após os episódios finais de The Deuce, e os outros dois episódios ficaram para meia-noite de terça-feira, após os episódios de estreia de His Dark Materials. Aqui e no exterior, há um consenso: depois de um episódio piloto brilhante, o roteiro enfraqueceu e talvez tivesse sido melhor focar nos feitos de Catarina do que em sua vida amorosa.

Cotação: 3,5 de 5 estrelas

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