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“O Amuleto” cria atmosfera de terror que não chega ao transgressivo final

Um ex-soldado (Alec Secareanu) que vive nas ruas de Londres, é hospedado por uma irmã (Imelda Staunton) em uma casa decadente habitada por uma jovem (Carla Juri) e sua mãe moribunda (Anah Ruddin). Ao se apaixonar por ela, ele não pode ignorar sua suspeita de que algo de estranho ronda a casa.

Amuleto (Amulet, 2020) é a estreia da atriz britânica Romola Garai (Castelo de Sonhos; Desejo e Reparação; As Sufragistas) como diretora.

Garai, que também escreve o roteiro, apresenta um filme de terror, com casa mal assombrada, perseguição e possessão, mas também explora PTSD (Estresse pós-traumático) e seus efeitos duradouros,

E carrega bem na atmosfera intrigante, repleta de boas ideias visuais. Um homem traumatizado por seu passado na guerra, acaba em uma casa estranha, onde uma jovem cuida de sua mãe doente, que vive trancada, afastada de tudo e todos. Os flashbacks são narrados paralelamente ao momento presente, que ganhará muito mais peso narrativo ao longo de uma hora e meia de duração do filme.

Com poucos personagens, Amuleto traz o cenário sombrio de uma velha casa, desenvolvendo uma atmosfera decrépita e sufocante que se transmite ao espectador. No entanto, o filme mantém um ritmo tão lento e a história avança tão lentamente que nem sempre é eficaz concentrar todo o esforço no aspecto ambiental.

O que seria uma representação sobre o mal na forma pura, com todo o dogma religioso e suas representações demoníacas se torna uma exposição sobre o mal humano e a retribuição perante o que não se tem perdão, caminhando para o final que poderá incomodar a muitos. Numa reviravolta  feminista, que visa dar sentido ao absurdo de fatos que já foi acumulado.

Entre os protagonistas está  Imelda Staunton, a Dolores Umbridge de Harry Potter. Certamente você lembra do personagem dela na saga do bruxo e neste filme também terá esse sentimento. Mas Amuleto mudará tudo. Staunton, Secareanu e Juri tem um bom desempenho, que equilibras as falhas que encontramos.

Embora as intenções da diretora/roteirista sejam boas, a quebra de estilo/forma na narrativa é muito forçada. Arriscada, poderia ter dado certo, mas não convence.

Amuleto se aventura em um final surrealista que, pelo menos em parte, nega o realismo fantástico construído ao longo do filme. Explora bem o trauma, o clima de pavor sustenta boa parte do filme, mas não chega ao climax. Boa estreia da Romola Garai, é uma promessa para o cinema, guardem o nome dela.

Nota: Bom – 3 de 5 estrelas

 

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