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Os bons e fortes ingredientes de “Succession”

 

São muitos os bons e fortes ingredientes que gabaritam Succession ao sucesso e êxito artístico que é. Da espessura Shakespeareana (com ecos firmes em Rei Lear) até a clara inspiração na vida real de grandes conglomerados capitaneados e guerreados por famílias como a Murdoch (donos do grupo FOX) e a Disney.

A trama, criada pelo britânico Jesse Armstrong, desenvolve a escalada de poder dentro do clã Roy, onde o patriarca Logan (Brian Cox, excepcional) cada vez mais fragilizado por problemas de saúde, vê três dos quatro filhos tentando provar (na maioria das vezes de maneira escusa) quem tem cacife para ocupar o seu lugar.

Após uma primeira temporada introdutiva e que se desenvolveu muito bem na personalidade que essa família vai se revelando, a série se aperfeiçoa ainda mais numa ferrenha segunda que se justifica pelo que o roteiro tem de mais substancial: o desenvolvimento deliciosamente cruel de seus personagens. Eles têm vida própria e personalidade sólida dentro de seus arcos narrativos.

Por isso que mesmo sendo uma série, basicamente, sobre uma família em disputa de seu próprio “trono”, todas as muitas possibilidades que se abrem narrativamente vêm das construções humanas de cada personagem.

Isso ficou muito claro nesse segundo ano, sobretudo no impactante gancho que deixou para a já confirmada terceira temporada. A complexa relação de pai e filho entre Logan e Kendall (Jeremy Strong, ganhando o personagem da vida) ganha uma dimensão tão poderosa que abre caminhos intensos para a história em si.

O ritmo e a estética fria ressoam certo abismo que essa família (e quem os envolve) vive, mas isso reflete de maneira absolutamente sedutora para o espectador. Esse olhar da fechadura e o sadismo que isso proporciona é o grande barato da série. Mais universal do que família, só mesmo olhar o que há de podre nela.

Cotação: Espetacular (4,5 de 5)

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Publicado por Renan de Andrade

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