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Pulsante, “O Tigre Branco” abrange sua função social

Esqueça essa história de ser o Parasita da Índia. O Tigre Branco se esforça muito para ser um filme banhado de personalidade, e consegue legitimar seu intuito.

Lançado pela Netflix, o longa quer também se distanciar de ecos de Quem Quer Ser Um Milionário?, filme (inacreditavelmente) ganhador do Oscar, do diretor inglês Danny Boyle. Logo no início ouvimos a provocação: “não acredite nem por um segundo que há um jogo milionário de perguntas e respostas que você pode ganhar para sair daqui”. Na lata.

Dirigido por Ramin Bahrani e adaptado do livro homônimo de Aravind Adiga, acompanhamos a trajetória de Balram (Adarsh Gourav, poço de carisma), que torna-se servente da família mafiosa que explora seu vilarejo natal e que mais tarde se tornará ele mesmo um empreendedor.

A narrativa se desenrola em flashback pelo relato que ele, já bem sucedido, escreve a um ministro chinês que visita a Índia. A maneira como ele vai se inserindo naquele família milionária e a virada que acontece nessa relação, são artimanhas dramáticas para se falar de algo maior: o confronto das tradições sociais milenares indianas com a premissa capitalista que a rege.

Balram é tudo menos um herói, mas vindo da circunstância de ser quem era possível ser, ganha espessura a visão que tem de si. Ramin conduz com energia seu longa, especialmente pelos detalhes visuais (o uso da luz e das sombras) e a montagem desconstruída para construir o presente de Balram.

A urgência dessa narrativa traz a firmeza de um thriller, e é de suma importância para a metade final do longa. Dá para traçar um bom paralelo com a situação atual do Brasil, e talvez esteja (só) aí o que tanto o filme se assemelha com o longa de Bong Joon Ho: ser uma incomoda alegoria sobre o fracasso do capitalismo na sociedade. Parece empolado dizer assim, mas o filme deixa isso bem claro, para Balram e para o espectador. Um sucumbe às suas consequências, o outro observa tudo pelo verniz da direção, refletido através de um ótimo entretenimento.

Nota: Excelente – 4 de 5 estrelas

Pulsante, “O Tigre Branco” abrange sua função social
4 / 5 Crítico
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