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Uma viagem pelo resgate ao cinema em Last Words, filme de Jonathan Nossiter

Como regra geral, a ficção pós-apocalíptica oferece cenários bastante imaginativos, que superam a realidade atual, mas que não serão possíveis, caso a humanidade não ponha um fim em sua forma destrutiva de destruir o planeta.

Last Words (Ùltimas Palavras, 2020) passa uma mensagem clara, numa abordagem minimalista e comovente de um futuro onde a humanidade perdeu tudo.

Estamos em 2085, o mundo está acabando e a raça humana está desaparecendo. Os oceanos estão vermelhos e engolfaram a terra, as mulheres perderam a capacidade de procriar, as terras são estéreis e inférteis, tudo o que cresce é tóxico.

Em meio a toda essa desolação, um jovem fica obcecado em querer filmar tudo que vê, pois provavelmente seria o último filme da humanidade.

Análise

Adaptação do scifi “Mes derniers mots”, um livro do argentino Santiago Amigorena, Last Words mergulha-nos num mundo futurista em que a humanidade praticamente desapareceu, entre o avanço do deserto, a poluição da terra e as tensões entre os poucos seres que sobrevivem. Resta apenas uma esperança, que será a premissa conceitual do filme.

Selecionado para Cannes 2020, como também para os Festivais de Sitges, Deauville e Lumière 2020, Last Words inicialmente intriga, antes de se tornar cada vez mais confuso com o passar do tempo. Uma narrativa que mistura memória do cinema e o fim da humanidade, entre traumas e memórias um do outro.

Pegando emprestado alguns para seu elenco alguns dos melhores talentos de alguns países, como Nick Nolte (EUA), Alba Rohrwacher (Itália), Charlotte Rampling (França) e Stellan Skarsgår (Suécia), o  diretor Jonathan Nossiter (Domingo é Dia…,1997) certamente não se subestima com o elenco, mas se perde entre os temas que o filme aborda artesanato, celulóides, reconstrução de uma câmera, doença, meio ambiente, esgotamento de recursos, fertilidade, amor …

A questão da extinção de nossa espécie certamente chega no momento certo, entre o aquecimento global e a pandemia do coronavírus, mas o entrelaçamento permanente das questões pessoais dos personagens, muitas vezes pouco exploradas, e as considerações baseadas no cinema como arte  freia a emoção.

Entretanto, o filme expõe pensamentos interessantes sobre o nosso futuro. Teoriza sobre um planeta que perdeu a capacidade de se comunicar, de se socializar, pois nós, os seres humanos, fomos reduzidos a nada por décadas por uma natureza que desta vez não deu trégua. E onde observamos que as pessoas daquele futuro se relacionam com inexperiência, retenção e medo com a perda do que sempre foi considerado um dos pilares básicos da raça humana: a socialização.

A perfomance dos atores poderia ter sido melhor, não se desenvolve, fica uma forma ambígua de não haver interação realmente com os outros, e uma sensação falsa de momentos de partilha, como nas projeções coletivas improvisadas, o riso tenta quebrar o gelo, mas longe de gerar o menos emoção.

Nossiter consegue assim criar uma ode artística à expressão cultural, especialmente o cinema, mas também um alerta sobre as alterações climáticas. E apesar dos aspectos fracos já mencionados, constrói bem a passagem da humanidade naquele momento, com toda sua alegria e esperança, mas que termina em tristeza e desespero.

Nota: Bom – 3 de 5 estrelas

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Publicado por Cadorno Teles

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