"Assédio" – Autora diz à Revista Ambrosia que não foi difícil vender o projeto

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“Assédio” é a série do Globoplay que começou a ser exibida na Globo na última sexta-feira. Escrita por Maria Camargo e com direção artística de Amora Mautner (responsável pela direção geral do sucesso Avenida Brasil), a série conta a história de mulheres que tiveram seus sonhos destruídos e suas palavras postas à prova ao serem vítimas de abuso sexual.
Na trama, o médico Roger Sadala, especialista em fertilização, promete ajudá-las em seus anseios pela maternidade, mas se aproveita da fragilidade dessas pacientes. O elenco conta com Adriana Esteves no papel principal, uma das vítimas, e Antonio Calloni como o médico. Durante a Rio 2C, houve uma roda de debate junto à imprensa com Maria, Amora e Adriana, mediada pela jornalista Bianca Ramoneda, que fez parte da equipe de escritores.
A série é baseada em fatos reais, e as personagens inspiradas em mulheres que existem. Bianca perguntou para a mesa como foi trabalhar com situações cruéis que de fato ocorreram. Segundo Maria, é complexo tratar de um tema real, com pessoas vivas. A personagem Estela é ficcional, mas está ancorada em uma história real. As escolhas e como lidar com a imagem de violência do corpo feminino também foram abordadas. “A tinta era subjetiva”, disse Amora, salientando a necessidade de aquelas imagens não suscitarem algo sexual. “Deveria ter algo de IML”, disse.
“A Rafa (Rafaela Leite, diretora de fotografia) trouxe filmes gregos e a Adriana trouxe mais subjetividade, e aí foi definido como seriam as outras”, contou a diretora. Amora é conhecida por seu jeito peculiar de se trabalhar. Adriana lembra de como a diretora e produtora enlouquecia o diretor de fotografia. “Amora, não foi o que a gente combinou” e ela respondia “mais aqui é tudo vivo”, lembra a atriz se divertindo e reconhecendo a capacidade criativa de Amora.

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A jornalista Bianca Ramoneda, a diretora artística Amora Mautner, a autora Maria Camargo e a atriz Adriana Esteves

Bianca também lembrou que o projeto veio antes mesmo do movimento #metoo. Maria disse que o mundo não está melhor mas a semente da mudança está aí.
Amora lembrou que abordou o tema de violência sexual em diferentes tons e, por causa do teor, o elenco preferia fazer de primeira. Para ela, na hora de assistir à marcação era impactante, por mais que ela tivesse montado toda a cena.
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Maria, que lembrou seu início escrevendo para o programa “Linha Direta”, que abordava vários casos de mulheres mortas por seus maridos, revelou que uma forte inspiração para a criação do roteiro foi a série “True Detective”. A autora ainda reforçou que o que faz na série é o oposto de dar luz ao agressor, e que há importância em ser uma pecinha na engrenagem para mudar todo um sistema e que aquele poderia ser qualquer, e ao mostrar a cena violenta, ela quer que o outro veja e se coloque no lugar, e repense. Algumas coisas, no final acharam que deveria tirar pois ficaria demais. Mas também há de se mostrar o médico e a sua família
Perguntada pela Revista Ambrosia se foi difícil colocar o projeto na rua, uma vez que é um tema que costuma ser subplot, mas nunca o tema principal, Maria afirmou que não houve uma grande barreira. “Não foi, talvez tenha sido o único projeto na minha vida que não foi difícil de vender. Eu apresentei para o Sílvio de Abreu e para a Mônica Albuquerque na TV Globo e eu fui muito bem recebida desde o primeiro momento. Realmente eu não tive dificuldade nenhuma, foi até rápido demais.” respondeu Maria. “O processo todo entre começar e a gente estrear foram dois anos, que para os padrões foi bastante rápido, e foi até um susto como a coisa foi indo e tinha que acontecer. Mas a recepção foi ótima desde o princípio. Não tive problema.” concluiu.
Sobre a potência de transformação da série, Amora reforçou que a união faz a força e que o assunto deixou de ser tabu. Assédio tem todos os episódios disponíveis no Globoplay.

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