A Revolução em Paris faz o espectador de testemunha da história | Filmes | Revista Ambrosia
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A Revolução em Paris faz o espectador de testemunha da história

Paris, 14 de julho de 1789. O dia em que o Antigo Regime cai, uma nova era nasce e a Idade Contemporânea tem início. Também é o ponto de partida do filme A Revolução em Paris, que acompanha as mudanças da França através dos olhos do povo.

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Françoise (Adèle Haenel) é uma mulher pobre que, no dia da Queda da Bastilha, estava lavando roupas para ganhar algum dinheiro. Às margens do Rio Sena, ela assistiu de camarote a prisão ser tomada e incendiada pelos revolucionários. Nos meses e anos que se seguem, ela vê seus amigos serem mortos durante a Revolução, conhece e se apaixona pelo rebelde camponês Basile (Gaspard Ulliel), observa o rei Luís XVI (Laurent Lafitte) ser levado para a prisão e participa como público das reuniões da Assembleia Nacional, ouvindo os discursos inflamados de Robespierre (Louis Garrel) e Marat (Denis Lavant).

O rei é levado para a prisão. A rainha Maria Antonieta, coitada, não fala uma única palavra durante o filme. É gritante o contraste entre o povo pobre, que vive em casas escuras e apertadas, e a nobreza, vivendo em imensos, luminosos e arejados palácios. Esses contrastes são alcançados graças ao primoroso trabalho das equipes de cenários, figurinos e da direção de arte, elementos que costumam ser destaque em filmes de época – e de fato são os pontos mais positivos de A Revolução em Paris.

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O filme, escrito e dirigido por Pierre Schoeller, teve orçamento de 17 milhões de euros e levou sete anos para ficar pronto. Apaixonado por explorar o conceito de cidadania, Schoeller vê, corretamente, na Revolução Francesa a gênese dessa palavra, e arremata: “Embora 1789 pareça muito distante, liberdade, igualdade e fraternidade não são palavras vazias. Ecoam até hoje nas consciências”.

As cenas da Assembleia são baseadas em registros históricos das reuniões, de modo que as palavras ditas pelos atores são quase sempre as mesmas proferidas pelos personagens históricos. Esta pesquisa minuciosa consumiu boa parte dos sete anos de preparação do longa, e assim foi possível recriar um momento histórico que parecia ter nos escapado: antes da invenção da fotografia e do cinema, só a reconstrução meticulosa da Assembleia Nacional em A Revolução em Paris é capaz de nos transportar para tão importante contexto, que moldou toda a civilização ocidental contemporânea.

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Seria interessante ver, como contraponto, o que se passava pela cabeça do rei enquanto ele e a família estavam na prisão, esperando pelo julgamento e, depois, aguardando a decapitação. O rei Luís XVI não deixou escritos sobre estes dias – e se tivesse deixado, eles provavelmente teriam sido destruídos pelos revolucionários. Infelizmente, Luís XVI apenas escrevia em seu diário sobre resultados de expedições de caça – tanto é que ele escreveu “nada” no dia da Queda da Bastilha, apontando que não havia caçado – mas é um exercício interessante pensar em como o rei deve ter se sentido em seus últimos meses.

Com boas atuações e grandioso como um projeto como este deve ser, A Revolução em Paris dá ao espectador a oportunidade única de ser parte da França em tormenta, de marchar até Versalhes e de ouvir os discursos de Robespierre sem se levantar da cadeira do cinema.

Cotação: Excelente (4 de 5 estrelas)

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Publicado por Letícia Magalhães

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