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“Brooklyn – Sem Pai Nem Mãe” e a pura vaidade de Edward Norton

Escrito, dirigido, produzido e protagonizado por Edward Norton, Brooklyn – Sem Pai Nem Mãe é uma obsessão do ator, uma vez que trata-se da adaptação de um best-seller homônimo dos anos 90, do escritor Jonathan Lethem, cujos direitos Norton possui desde 1999, ou seja, vinte anos para conseguir colocar o filme de pé.

O longa conta a história de Lionel Essrog, um detetive particular solitário que convive com a síndrome de Tourette, e tenta solucionar o assassinato de seu mentor, Frank Minna (Bruce Willis). A síndrome mexe com sua coordenação motora e da fala, o que faz com que ocasionalmente grite palavrões no meio das frases. Sua investigação ganha proporções ainda mais sérias quando atrela o crime ao poder público e sua ligação com empreiteiros (com Alec Baldwin fazendo bem o seu mesmo papel de sempre).

Norton é um excelente ator, mas os superlativos não se estendem as funções que acumula nesse seu segundo filme como diretor. O roteiro é burocrático, levando cerca de 2h20 sem que consiga nos fazer importar com a história e seus personagens. Norton ainda pegou a história original do livro, que se passava nos dias atuais, e transportou para os anos 50, dando uma linguagem noir. Só que essa opção não se justifica a não ser por estilismos banais. Para piorar, acrescenta personagens que só tumultuam o eixo central da narrativa, e banaliza a questão racial levantada, mas não desenvolvida.

A direção não tem ritmo (a montagem é frouxa), e apesar de alguns takes bonitos (feitos para agradar a Academia), complica mais a história que de complicada, formalmente, não tem nada. Até sua atuação como protagonista deficiente, é formulaica e pensada para premiações. Fica muito claro quando um filme é milimetricamente feito para isso. Parece que não tem alma, feito de cenas clímax para caberem nos videozinhos de indicados ao Oscar. Entretanto, a tática não funcionou: é um fracasso de público e crítica, e vem passando em branco justamente no período de premiações norte americanas. Norton foi consumido pela vaidade. E seu filme paga o preço disso claramente.

Cotação: Fraco (2 de 5 estrelas)

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