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“Doutor Sono” proporciona uma digna continuação de “O Iluminado”

Nessa era de lançamentos de filmes que já possuem uma marca no mercado, muitos desses pensados como produtos, surgiu a notícia de que seria feita a sequência de um dos grandes clássicos do cinema, “O Iluminado”, adaptação magistral de Stanley Kubrick da obra de Stephen King.

A preocupação entre os fãs se justificava, pois apesar de existir a continuação literária escrita pelo próprio King, a maioria sempre preferiu as escolhas artísticas de Kubrick, a despeito de o escritor não ser muito afeito à versão cinematográfica de sua criação. Quando o diretor Mike Flanagan assume o posto e convence King de usar como referência o filme de 1980 e não o livro, ou mesmo a série de TV de 1997, mantiveram a esperança que o projeto.

E a escolha realmente acaba sendo satisfeita e “Doutor Sono” chega aos cinemas sendo uma digna continuação, que por muitas vezes homenageia o primeiro filme, mas traz uma boa história, de excelentes atuações, e que apesar de ter uma metragem grande (2 horas e 31 minutos), o espectador não sente o tempo passar.

Com Ewan McGregor encabeçando o elenco como Danny Torrance, vemos como a vida do personagem foi modificada após os eventos no Hotel Overtook, onde apesar de ter conseguido prender seus monstros do passado, o trauma ainda o persegue o que o leva a uma vida junto a bebida e viver de cidade em cidade em busca de uma estabilidade que só encontra em uma cidade em New Hempshire, aonde arranja um emprego e permanece 8 anos sóbrio.

Conhecemos um grupo que possuem dons parecidos do protagonista e que eles vivem de absorver o “vapor” de outros seres semelhantes a eles que devem ser obtidos através da dor e do medo deles e que garantem para os que os absorvem, mais tempo de vida, sendo o seu principal alimento. Quando a líder do bando, Rose The Hat, (Rebecca Ferguson), dona de habilidades para detectar aqueles que possuem esse vapor, sente o tamanho poder da menina Abra Stone (Kyliegh Curran), o grupo vai persegui-la. Só que ela que havia feito contato mental com Danny nos últimos anos, vai tentar ajuda-la mesmo a seu contragosto, por tentar renegar suas habilidades ao longo da sua vida.

Danny trabalha como enfermeiro em um hospital de doentes terminais. Devido a suas habilidades, e ajudado pelo gato que reside no local, Azzie, que sobe nas camas daqueles que estão para partir, ele os acolhe e os ajuda a partir mais calmos e sem dor, e assim fica conhecido como Doutor Sono. Embora seja pouco explorado no filme, existe uma mensagem sobre o outro lado e o conforto de sabermos que aqueles que se foram estão bem, mesmo em um mundo que o mal sobrenatural existe.

A escolha do elenco é ótima, pois McGregor e Ferguson fazem o que se espera deles, mas o que chama muito a atenção é da menina Curran, que tem uma entrega impressionante e tem uma cena assustadoramente bem realizada em que ela simula a voz de McGregor. Embora em uma pequena participação o menino Jacob Tremblay (de O Quarto de Jack) também chama a atenção e até assustou seus companheiros de set na cena realizada.

Flanagan na sua direção deixou espectador á vontade ao usar cenas do primeiro filme em alguns momentos, e até reutiliza-las devido ao grande número de takes que Kubrick usava e não utilizava, como em cenas em plano aberto do carro em movimento (que já tinha ocorrido isso antes quando Ridley Scott fez a cena final que o estúdio pediu em Blade Runner). Em alguns momentos, ele também faz movimentos de câmeras similares do filme de 1980. Suas escolhas de manter uma fotografia e uma direção que remetem ao O Iluminado são justas, pois temos a sensação de estar no mesmo universo e ao mesmo tempo sem querer inventar a roda em uma obra que beirava a perfeição.

Devido a aposentadoria tanto de Jack Nicholson e Shelley Duvall, o único que retorna para fazer uma ponta é Danny Loyd (o Danny Torrance), que aparece como espectador numa quadra de baseball, ele que, aliás, só soube o que o filme que ele ficou conhecido era de terror quando já era adolescente, já que Kubrick o protegeu das cenas mais impactantes, trocando por um boneco.

Em meio a tantos retornos de filmes clássicos que muitas vezes distorcem os originais, ver um filme que respeita e faz justas homenagens, “Doutor Sono” vira uma continuação de respeito que devem agradar aqueles que cultuam a obra dirigida por Stanley Kubrick.

Cotação: Excelente (4 de 5 estrelas)

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