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“Entre Facas e Segredos” funciona sob as benções de Agatha Christie

Bons tempos em que o cinema se esmeirava em traduzir de diferentes formas, a essência misteriosa da literatura de Agatha Christie. Se a adaptação de Assassinato no Expresso Oriente, em 2017, apesar do sucesso de público, foi um fiasco artístico, vem o diretor Rian Johnson, com uma história original, mas fortemente influenciado pelo livro e autora, e apresenta um dos grandes entretenimentos do ano com Entre Facas e Segredos.

O filme é um típico “quem matou?”, mostrando a investigação de Bernoit Blanc (um releitura hilária de Hercule Poirot do ator Daniel Craig) para a misteriosa morte do milionário Harlan Throbrey (Christopher Plummer), através do ponto de vista de sua enfermeira Marta (Ana de Martas). Isso desencadeia a desestabilização da família, num elenco brilhante com nomes como Toni Collette, Jamie Lee Curtis, Michael Shannon, Katherine Langforde e Chris Evans.

A maneira como o roteiro organiza as costumeiras armadilhas de suspeição impulsiona muito através da dinâmica de pistas falsas, mas fazendo sentido na revelação final. A engenhosidade da trama ainda abre espaço para comentários sociais, o que acaba por dar desenvolvimento para cada personagem do numeroso elenco (mesmo que alguns poucos acabem apenas figurando na história).

O resultado funciona pela habilidade do roteiro em descamar seu mistério, a ótima dinâmica que Johnson imprime na direção dessa história, sobretudo para com o elenco e como esse mesmo elenco parece estar se divertindo honrando o legado de Agatha Christie. Quando essa aritmética dá certo, o cinema agradece. No fim, o único mistério sem solução que o filme deixa é: será mesmo que os bons tempos desse tipo de cinema estão de volta?

Cotação: Excelente (4 de 5 estrelas)

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