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Festival do Rio: “Blitz, O Filme” resgata o estouro do Rock Brasil anos 80

O documentário “Blitz, O Filme” como já se pode imaginar tem como o maior trunfo a nostalgia. Resgatar não apenas aquele início da cena rock brasileira dos anos 80, mas também um Rio de Janeiro idílico que não existe mais e fervilhava naquele final de anos 70 e início dos 80. A praia do Arpoador era o point, uma espécie de Venice Beach tupiniquim, o grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trambone (do qual Evandro Mesquita fazia parte) era um dos carros-chefes da contracultura e no verão de 82 aterrissou ali no encontro das praias de Ipanema e Copacabana o Circo Voador. Era a gênese da Blitz, que se tornaria uma coqueluche nas paradas de sucesso deflagrando a onda do Rock Brasil.

O diretor Paulo Fontenelle concebeu um documentário redondinho, que não foge à velha fórmula do gênero, contando os fatos com princípio meio e fim, tendo a ajuda de imagens de arquivo e depoimentos dos envolvidos. Só que mesmo dentro dessa formatação tradicional, ele esmiúça a história que no todo é bastante conhecida, mas com detalhes pitorescos, inclusive colocando pontos de vista em conflito, como no que tange à saída de Lobão da banda, que assumia a bateria originalmente.

O que a Blitz mais coleciona, sobretudo na fase áurea, de 1982 a 1984, são histórias curiosas, e coube a Fontenelle condensá-las em 105 minutos, uma tarefa nada fácil. Para quem viveu a época é um deleite relembrar de detalhes como o álbum de figurinhas da Blitz, a revista em quadrinhos a que o LP dava direito, o comercial de xampu, ou o especial “Blitz Contra o Gênio do Mal” da Rede Globo de 1984, cheio de referências a Star Wars.

O detalhismo do documentário é bem vindo está na abordagem do primeiro fim da banda na segunda metade dos anos 80. As explicações dadas ao longo dos anos eram um tanto genéricas, e agora tudo fica mais claro. O retorno à crista da onda e a ruptura que acabou em tribunal também estão satisfatoriamente em pauta. Já a fase é colocada como o happy ending.

“Blitz, O Filme” é indicado não só aos fãs de primeira hora da banda, mas aos notálgicos da cena rock dos anos 80, daquele despojamento e organicidade com que as coisas aconteciam, mesmo havendo uma indústria por trás. Quando é dito em determinado momento que a Blitz era a Anitta e os sertanejos universitários somados em termos de mídia, não é exagero. E a máquina do tempo de Fontenelle leva você a essa época.

Cotação: Muito Bom (4 estrelas de 5)

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