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Festival do Rio: “Judy” compensa burocracia com grande atuação de Renée Zellweger

A menina prodígio Judy Garland teve uma das trajetórias mais sofridas no mundo dourado de Hollywood. Sua carreira de atriz e cantora cheia de solavancos é prato cheio para cinebiografias, e “Judy: Muito Além do Arco-Íris” vem com o propósito de ser a definitiva. E como já vinha sendo adiantado, o grande trunfo do filme é a atuação pujante de Renée Zellweger.

O ano é 1968. A lenda Judy Garland está na Inglaterra para uma série de concertos. Trinta anos se passaram desde que foi catapultada como a Dorothy de O Mágico de Oz. Os altos e baixos de sua carreira e as memórias de uma infância perdida para Hollywood deixaram marcas indeléveis na artista. Paralelamente ela enfrenta o dilema de se afastar dos filhos para cumprir os compromissos junto a seus fãs e continuar brilhando.

Baseado no livro “End of the Rainbow”, de Peter Quilter, o filme alterna a fase final de Judy Garland aos 47 anos com algumas inserções de passagens de sua juventude (aqui vivida por Darci Shaw). Nesses momentos, a fotografia ganha um colorido exagerado, lembrando aquela técnica de colorização utilizada em O Mágico de Oz. Além disso, o cotidiano da menina é todo mostrado um set de filmagem, uma alegoria para ilustrar o quanto sua vida foi engolida pelos holofotes.

Todavia, “Judy” não foge do esquematismo de cinebiografias de grandes estrelas que tiveram uma vida eivada de drama. Apesar da bela fotografia de Ole Bratt Birkeland e da competentíssima edição de Melanie Oliver, o diretor Rupert Goold optou pela retidão, salvo um movimento de câmera mais ousado aqui e ali. Seu grande acerto no entanto é dar suporte para o brilho de Renée Zellweger em uma atuação de entrega comovente. Ela reproduz trejeitos da atriz no palco que poderiam facilmente cair na armadilha da caricatura, e também alguns maneirismos mais sutis.

Em mãos um pouco mais ambiciosas “Judy: Muito Além do Arco-Íris” seria um dos grandes filmes do ano e um forte candidato ao Oscar. A vida da atriz e cantora fornece um enredo épico. Há grandes momentos, sobretudo nos números musicais. Mas o que torna o longa inesquecível na retina é o brilhantismo de Zellweger em estado de graça, no auge de sua maturidade artística.

Cotação: Bom (3,0 de 5 estrelas)

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