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Festival do Rio: “Marginal Alado”, a ascensão e queda do último rockstar brasileiro

“Esse marginal que eu tenho tatuado aqui no braço não é porque eu assalto as pessoas. É que eu estou à margem da hipocrisia”. Frases como essa exprimem a personalidade de Alexandre Magno Abrão, mais conhecido como Chorão, o líder do Charlie Brown Jr. “Chorão – Marginal Alado” é um documentário que faz um mergulho nessa controversa persona que era o que talvez tenha sido o último rockstar brasileiro.

O Charlie Brown fez parte da última leva de bandas do rock nacional que dominaram a mídia e fizeram a cabeça de uma geração. Junto com os Paulistas estavam os gaúchos do Cachorro Grande e os cariocas do Los Hermanos. Inclusive há um episódio em que Chorão golpeou Marcelo Camelo com uma cabeçada que também é abordado no filme.

Dirigido por Felipe Novaes – produção da Bravura Cinematográfica distribuída pela 02 Play – o longa conta com depoimentos de várias pessoas que conheceram Chorão de perto, como João Gordo, Serginho Groismann, Marcelo Nova e Zeca Baleiro (que fez uma versão do sucesso ‘Proibida Pra Mim’), além de companheiros de banda como Champignon e o produtor da banda. Inclusive é a entrevista que Felipe fez com o baixista da banda, que cometeu suicídio uma semana depois do registro, o fio condutor da narrativa. Como se ele fosse o contador da história.

A estrutura é típica de um filme documentário da vida de um roqueiro: vemos as origens, a ascensão e a queda, com diversos comentários das pessoas que o conheceram e imagens de arquivo da banda e de canais de televisão, nos quais o CBJr era presença constante no final dos anos 90 e nos anos 2000.

A partir daí é extraída uma radiografia de toda a conjuntura que pode ter levado ao suicídio de Chorão. Sua personalidade explosiva é abordada sem esquecer do lado sensível. Isso sem falar no empreendedorismo e perseverança, que sem dúvida foram os ingredientes para que a banda chegasse no posto que ocupou.

“Chorão – Marginal Alado” não glamouriza nem vitimiza o biografado. Há sim um inevitável tom de homenagem, mas o filme procura, acima de tudo, a compreensão acerca de uma figura tão cercada de histórias polêmicas e fama de rebelde. As principais características de Chorão, a capacidade nata em se comunicar diretamente com os corações e mentes do público e sua revolta interior, transformaram-no em um porta-voz dos primeiros millennials (e últimos Xers). No entanto, os efeitos colaterais vieram na forma de depressão, vício em remédios e cocaína. O final já sabemos. E o filme busca explicar.

Cotação: Bom (3,5 de 5)

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