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Festival do Rio: “O Farol” e sua claustrofobia onírica

Williem Dafoe and Robert Pattinson in director Robert Eggers THE LIGHTHOUSE. Credit : A24 Pictures

Chegou ao Festival do Rio em sua reta final o festejado “O Farol”. O filme já havia ganhado uma pré-estreia especial no Rio de Janeiro no final de outubro (inclusive com a presença do ator Willem Dafoe) e agora pode ser conferido na grade do festival antes de sua estreia oficial no circuito. Primeiramente, todos os superlativos não são mero entusiasmo de primeira hora. O filme, que já configura entre os melhores do ano, é uma obra desnorteante de uma engenhosidade ímpar conseguida pelo diretor Robert Eggers (de “A Bruxa”).

Em uma remota e misteriosa ilha da Nova Inglaterra na década de 1890, o jovem Ephraim Winslow (Robert Pattinson) é contratado pelo responsável pelo farol, Thomas Wake (Dafoe), para substituir o ajudante anterior e colaborar nas tarefas diárias. Durante o tempo de convivência, Ephraim vai ficando cada vez mais obcecado em descobrir o que acontece naquele local, uma vez que o acesso ao farol é mantido fechado a ele, e começa a vislumbrar fenômenos estranhos. Em meio a esse cenário, os dois tentam manter sua sanidade.

Eggers orquestra um espetáculo claustrofóbico e onírico, que vai remeter de Moby Dick ao melhor que o cinema de terror produziu, sobretudo na década de 1970. Se em A Bruxa ele literalmente nos transportou à América colonial com extrema riqueza de detalhes (os atores falavam em inglês arcaico, por exemplo), para compôr o clima em O Farol, ele utiliza o formato de tela 4×3 e a soberba fotografia de Jarin Blaschke explora toda a profundidade e nuances que o preto e branco guarnece.

Com essencialmente dois atores em cena, o diretor imprime um tom teatral, com monólogos de ambas as partes. Diante de um competente trabalho de direção de atores, vemos Willem Dafoe em atuação estrondosa e Robert Pattinson adicionando mais um grande trabalho para sua filmografia (alguém aí ainda se prende à sua imagem na série Crepúsculo?). Tanto o conflito quanto a coadunação dos personagens rendem momentos que grudam na retina.

“O Farol” possui um roteiro construído de forma aliciante, característica que vai se acentuando ao longo da trama, até culminar em um pungente delírio surrealista. Uma inegável confirmação do talento de Eggers ainda mais ousado em seu segundo longa, mais uma vez produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira e sua RT Features, e com ninguém menos que Chris Columbus (de Esqueceram de Mim e os dois primeiros Harry Potter) na produção executiva. Um forte concorrente na temporada de prêmios que se avizinha.

Cotação: Ótimo (4 estrelas de 5)

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