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Festival do Rio: O notável crescimento de Greta Gerwig no ótimo “Adoráveis Mulheres”

Cada vez mais estabelecida por seu cinema ali entre o cool e o sensível, a diretora Greta Gerwig correu atrás, conseguiu e se revelou a melhor pessoa para dirigir a nova versão do clássico livro de Louisa May Alcott, Adoráveis Mulheres, que já teve inúmeras versões cinematográficas.

O seu envolvimento se estendeu ao roteiro, buscando assim estabelecer seu olhar na história do amadurecimento de quatro irmãs de personalidades distintas, em plena guerra civil norte-americana, quando a maioria dos homens saiu de casa para os conflitos.

Historicamente, o livro original sofreu críticas por ser contra tudo o que feminismo defende, sobretudo pelo casamento ser o objetivo final da vida da mulher. O primeiro grande êxito de Greta é justamente em adaptar o discurso sem prescindir da essência da história.

O roteiro ressignifica o papel da protagonista Jo March (Saoirse Ronan, esplêndida) e faz um bom recorte entre as outras personagens/irmãs com ótimas atuações de Emma Watson, Eliza Scanlen e a revelação do ano, Florence Pugh (que já havia demonstrado muito talento em Midsommar). Timothée Chalamet, fisicamente até não parece ter o que seu personagem precisa, mas ele é tão bom que a estatura vem com sua interpretação.

O elenco – que ainda conta com Laura Dern, Louis Garrel e Meryl Streep – é muito bom, e todos têm o seu momento na trama. Direção de arte, figurino e fotografia mimetizam de maneira muito elegante o universo do livro para plateias do final dos anos 2010.

Greta demonstra muita segurança ao brincar com a estrutura da história, arrojando a narrativa com elipses, vai e vem no tempo e até exercício de metalinguagem. E assim como seu delicioso filme anterior, Lady Bird, sua obra se desenvolve pela leveza de sua própria consistência.

Adoráveis Mulheres não simplesmente atualiza a história original de May Alcott, mas a torna atemporal. Que grande diretora tem se tornado essa Greta Gerwig…

Cotação: Excelente 4 de 5 estrelas.

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