Festival do Rio: O paralelismo de universos em "A Febre" | Filmes | Revista Ambrosia
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Festival do Rio: O paralelismo de universos em “A Febre”

Grande vencedor do Festival de Brasília desse ano, A Febre, da diretora carioca Maya Da-Rin é um dos filmes que estão na mostra competitiva da Première Brasil do Festival do Rio 2019. Trata-se de uma alegoria que flerta com o subjetivo, sobre o encontro e o ruído que há nas correlações que se dão entre a cultura indígena e a ocidental.

Justino (Régis Myrupu), indígena da tribo Desana, trabalha há mais de 20 anos como segurança e sua filha está prestes a se mudar para capital para cursar medicina. Uma misteriosa febre acomete Justino, ao mesmo tempo em que seus familiares da tribo vão a cidade para convencê-lo a voltar a viver na aldeia.

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O filme trata a questão do paralelismo de mundos que Justino vive de maneira orgânica, ainda que permeada de toques sobrenaturais, numa reflexão sobre os mistérios indígenas através da natureza – o filme é todo passado as margens da floresta amazônica. Até para reforçar esse misticismo, a fotografia (de Bárbara Alvarez) e os efeitos sonoros são primordiais para aclimatar o que se transforma no grande conflito de Justino.

Entretanto, a montagem e a condução excessivamente lenta e contemplativa da diretora, faz com que a história, vagarosa demais, se perca em digressões visuais. É uma opção de Maya que esse ritmo aluda exatamente a imersão que a cultura indígena evoca (é interessante que parte do longa é falado em dialeto indígena com legenda), mas em alguma medida isso atrapalha a fluidez do filme. O que não quer dizer que interfira naquilo que a diretora conseguiu fazer: dimensionar a aproximação e a distância desses dois mundos num mesmo indivíduo.

Cotação: Bom 3,5 de 5 estrelas

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