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Festival do Rio: “Piedade” fragiliza suas próprias possibilidades

Piedade, novo longa metragem do diretor Claudio Assis, é talvez seu filme mais acessível, mas também por isso com problemas para lidar com sua acessibilidade, em se tratando de um filme de… Cláudio Assis.

A história é interessante e atual: a região do Praia da Saudade (Pernambuco) sofre agressiva especulação imobiliária de uma grande empresa petrolífera, representada pela figura ambiciosa de Aurélio (Matheus Nachtergaele). Uma família impõe o papel central nessa resistência, o que reverbera questões do passado de todos os personagens envolvidos nela.

O filme segue a observação iconoclasta do diretor sobre seus personagens, sobretudo o Sandro de um ótimo Cauã Reymond, que carrega em si a construção dramática e ligação da história. Fernanda Montenegro brilha como a matriarca da família que vai se corroendo diante da opressão mercantilista da petrolífera. Assis é hábil na criticidade de sua trama e na direção de atores de seu elenco estelar, entretanto, falta fôlego para mimetizar os fragmentos que vai abrindo no decorrer da narrativa.

A figura arquetípica de Aurélio, pouco desenvolvida, banaliza a dimensão dos personagens, o que até então é a grande força do filme. O roteiro não desenvolve os conflitos gerados pela congruência entre drama familiar, discurso político e crítica ambiental. Assim, o filme resulta incompleto.

Ainda que Cláudio Assis tenha feito um filme atento a seu tempo, com fotografia íntima e boas sacadas (como o óculos 3D), Piedade se rende tanto à facilidades narrativas que fragiliza suas possibilidades.

Cotação: Bom 3 de 5 estrelas

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