"Ford vs. Ferrari" – potente e irregular como fábula real | Filmes | Revista Ambrosia
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“Ford vs. Ferrari” – potente e irregular como fábula real

James Mangold é daqueles diretores que ora faz filmes medíocres (Encontro Explosivo, Wolverine: Imortal), ora entrega produções destacáveis (Johnny e June, Logan). Ford vs. Ferrari se insere nessa última categoria. É basicamente a história de como a Ford, montadora norte-americana, nos idos anos 60, buscava se destacar no mercado mundial, tentando suplantar a italiana Ferrari, já uma potência na época.

Para isso, a estratégia é um investimento em corridas automobilísticas, mais especificamente na figura do ex-piloto e agora projetista Carroll Shelby (Matt Damon), imbuído de formar a melhor equipe para corrida. Com isso, ele empreende o nome de Ken Miles (Christian Bale), de personalidade arredia, mais que vive pela perfeição da velocidade.

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Christian Bale and Matt Damon in Twentieth Century Fox’s FORD V. FERRARI.

Sim, é uma trama típica de Davi contra Golias, ou superação de limites para vencer, mas Mangold abrange bem o aspecto pessoal dos dois protagonistas dentro das intrigas dos bastidores dessa indústria, sobretudo pela questão complexa que se constrói na ambição da própria Ford, na figura de seu herdeiro Henry Ford ll (Tracy Letts).

A narrativa por trás dessa história de poder e superação pessoal, potencializada pelo deslumbre técnico das cenas de corridas, muito bem fotografadas por Phedon Papamichael, encorpam o filme e o dão sentido para além de sua previsibilidade.

Por vezes o roteiro – de Jez Butterworth, John Henry-Butterworth e Jason Keller – derrapa numa certa infantilização da premissa, quase numa necessidade de ser parábola, como na vilanização caricata da equipe oponente, com direito a piloto da Ferrari fazendo caras e bocas na corrida final. Isso o desequilibra como dramaturgia, mas não diminui sua força dramática, sobretudo pela intensa relação entre Shelby e Miles, num trabalho notório dos atores envolvidos. James Mangold pode ter uma carreira irregular, mas costuma lidar bem quando esbarra com fábulas reais.

Cotação: Bom (3 de 5 estrelas)

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Publicado por Renan de Andrade

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