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“Malévola: Dona do Mal” se entende com seu próprio conto de fadas

Em 2014, escrevi sobre a estreia do primeiro Malévola dizendo basicamente que se iludia com o próprio conto de fadas. O resultado dramático era frouxo diante da eficiente persona que Angelina Jolie imprimia. E não é que sua continuação aparou exatamente essas arestas?

Malévola: Dona do Mal expande o conto de fadas subvertido que o filme anterior criou para vieses até políticos em seu subtexto. E nem é por isso (só) que o filme é tão melhor.

Aurora (Ellen Fanning, fabulosa) é pedida em casamento pelo príncipe Phillip (Harris Dickinson), o que abala sua relação com a protagonista, já que isso representaria uma aproximação inédita com os ‘humanos”. Aproximação essa um tanto nociva dado os planos maléficos da Rainha Ingrith (Michelle Pfeiffer, se divertindo como vilã), e sua obsessão pelo poder e pelo fim de qualquer outra soberania que não a sua e sua espécie.

Por mais esquizofrênico que o subtítulo “Dona do Mal” represente, já que Malévola aqui se constrói exatamente pelo contrário, o filme funciona nesse antagonismo com a personagem de Michelle Pfeiffer, que resvala num jogo de intrigas divertido e clichê, mas também muito mais honesto com sua proposta do que o filme anterior.

O diretor Joachim Rønning assegura bem a magia para que isso se dê, especialmente na batalha final, que arregimenta o grande clímax da história. É certo que a trama dê lá suas derrapadas quando tenta aprofundar as origens de Malévola, desperdiçando o talento de Chiwetel Ejiofor por exemplo. Mas nunca perde o fio da meada de fazer com a que a mitologia de seus personagens segure o interesse até o fim.

O talento das atrizes conta bastante nesse êxito (para além do domínio de Jolie, não devemos jamais subestimar a singeleza dramática de Fanning). A crítica em geral, parece não ter se entusiasmado tanto com o filme. Não consigo entender. Pois agora, em 2019, eu escrevo que Malévola 2 pega seu próprio conto de fadas e reinventa sua capacidade de imaginar.

 

Cotação: Bom (3 de 5 estrelas)

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Publicado por Renan de Andrade

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