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“Maria de Caritó” funciona na propriedade de sua simplicidade

 

A veia fabular do imaginário popular por trás do texto “Arianosuassuano” de Newton Moreno, encheu os teatros do país com a peça Maria de Caritó, protagonizado por uma Lilia cabral em estado de graça (literalmente). Agora esse mesmo texto busca o alcance popular no cinema através do filme homônimo, dirigido por João Paulo Jabur.

Com roteiro do próprio Moreno, auxiliado pela experiência no veículo de José Carvalho, a história é a mesma: prestes a fazer 50 anos e ainda virgem, Maria de Caritó vive pela controvérsia de ter sido prometida por seu pai para ser santa.

Quando um circo chega a cidade, a volúpia e um inesperado encontro com segredos do passado a fazem relativizar a liturgia religiosa em volta dela e a propriedade de seus desejos. A essência do texto teatral é mantida, o que confere ao filme uma honestidade no olhar sobre o cotidiano de um Brasil profundo em paralelo com sua estrutura fabular condizente com as tradições rurais a la Mazzaropi.

Lilia conhece bem a personagem e desvencilha-se bem das armadilhas da caricatura tanto da personagem em si, quanto de sua versão teatral. Sua composição cinematográfica funciona na espontaneidade que o filme precisa.

O roteiro é esperto como alegoria do Brasil atual e sobre a condição feminina na sociedade. Está tudo lá, mastigadinho e eficiente. Jabur dirige de maneira protocolar, as vezes buscando mais o take bonito do que necessariamente justificável à história (como a cena do reencontro da protagonista com uma cigana na ponte).

Ao apostar na simplicidade, o filme quase cai no simplório. Ainda bem que se trata de um universo muito íntimo de seus realizadores por trás e pela frente das câmeras. Resta saber se o cinema terá a eficácia que o teatro teve para isso se traduzir em bilheteria.

Cotação: Bom (3 de 5 estrelas)

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Publicado por Renan de Andrade

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