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O comovente desnudamento de “Greta”

Há um desnudamento em sua literalidade muito importante, se não fundamental, em Greta, filme do cearense Armando Praça, livremente inspirado na peça teatral “Greta Garbo, Quem Diria, Acabou no Irajá“, do dramaturgo Fernando Melo, lançada nos anos 70, em meio à Ditadura Militar. Desnudamento esse até no tocante ao que poderíamos chamar de nicho dos filmes gays, uma vez que o filme aprofunda os sentimentos e a sexualidade de Pedro, um enfermeiro homossexual da terceira idade, vivido por um extraordinário Marco Nanini.

Ele é apaixonado pela grande estrela Greta Garbo, o que parece ser o sentido de sua vida ordinária. Numa noite em que sua amiga e performer da noite, Daniela (Denise Weinberg, sempre ótima) precisa de um leito no hospital caótico em que trabalha, ele acaba liberando Jean (Démick Lopes, um achado) ferido, mas, acusado de homicídio, e que está sob custódia da polícia. Só que acaba se envolvendo emocionalmente e sexualmente com o tal rapaz, até o escondendo em sua casa.

Greta é um filme sobre solidão. Todos os personagens que gravitam a história tem suas questões a lidar com o sentimento. Por isso a fotografia é tão claustrofóbica. E o uso da luz dramática abre mão da beleza (óbvia) estética, para estabelecer essa espécie de desolação. A câmera está quase sempre num ponto fixo, angulando a dimensão, especialmente de Pedro. O olhar do diretor só aproxima nas relações sexuais, fortes e catárticas, como se quisesse sublinhar os poucos momentos de alguma intimidade entre tantas carências.

Nanini aproveita cada fotograma que ocupa. Sua interpretação é comovente dentro de sua grandeza humana. E entrega absoluta. Em uma cena, Daniela questiona Pedro sobre o risco do envolvimento atual, quando ele responde: “eu só tenho essa história, meu amor!”, num misto de resignação e conformismo.

Greta desnuda seus personagens para além do corpo. É o mais singelo que se pode chegar quando se fala sobe finitude.

Cotação: Muito Bom (3,5 de 5)

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Publicado por Renan de Andrade

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