"O Pintassilgo" não dá conta da grandiloquência de sua matriz literária | Filmes | Revista Ambrosia
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“O Pintassilgo” não dá conta da grandiloquência de sua matriz literária

O Pintassilgo não carrega superlativos apenas no nome curioso. O livro da americana Donna Tartt, de 2014, virou um best-seller impressionante, vendendo mais de 1,5 milhões de livros só nos EUA, e ganhou o prêmio máximo da literatura, um Pulitzer de ficção, gerando muita polêmica sobre o merecimento ou não da láurea.

Certamente que sua adaptação cinematográfica geraria expectativa a altura. A história traz em si uma grandiloquência um tanto épica para acompanhar a história do jovem Theo Decker (Oakes Fegley/ Ansel Elgort) traumatizado desde criança devido à morte da mãe num atentado terrorista no Metropolitan Museum of Art, em Nova York. No meio da explosão, ainda tateando na lucidez, Theo salva O Pintassilgo, pintura clássica de Carel Fabritius que acaba se tornando seu vínculo afetivo diante do impacto emocional que sofre.

Ao longo da narrativa, estabelece relação com uma menina que estava próximo dele e também sobreviveu a explosão, é obrigado a conviver com pai omisso e alcoólatra no Texas, cria laços afetivos com um novo amigo da região que redefine sua vida mais pra frente e se vê envolto dos bastidores dos falsificadores de arte.

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O livro tem mais de 700 páginas e o roteiro de Peter Straughan, assim como a direção de John Crowley não dão conta de desenvolver seus muitos personagens que no livro tinham função clara de construção dramática de Theo diante das consequências do drama que viveu.

Nicole Kidman é uma “vítima” clara. E para piorar, a montagem atrapalha ainda mais pois fragmenta o que já soa superficial, e assim tem pouco apelo para estabelecer o que a história mais precisa para se validar: a relação íntima do protagonista com a obra e o sentido que isso tem para ele. A força dramática da palavra não se mantém na imagem.

O ponto alto do filme se restringe à fotografia que delineia com eficácia cada fase da história. Mas é isso: O Pintassilgo acaba só sendo admirado pela beleza plástica, o que é uma ironia quando sua matéria prima evoca exatamente o contrário.

Cotação: Regular (2,5 de 5)

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Publicado por Renan de Andrade

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