"Projeto Gemini" duplica Will Smith em espetáculo tecnológico | Filmes | Revista Ambrosia
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“Projeto Gemini” duplica Will Smith em espetáculo tecnológico

Assim como James Cameron e seu “Avatar” (e suas vindouras continuações) e Robert Zemeickis, que dedicou boa parte de sua recente filmografia a realizar animações “realistas”, o diretor Ang Lee adora projetos que pretendem trazer inovações ao cinema e mudar a forma de ver os filmes graças a novas tecnologias. Às vezes dá muito certo, como em “As Aventuras de Pi” (que lhe deu até o seu segundo Oscar), ou dá muito errado, como em “A Longa Caminhada de Billy Flynn”, fracasso de público e crítica que sequer foi exibido nos cinemas brasileiros, mesmo tendo astros como Vin Diesel, Kristen Stewart e Steve Martin no elenco.

Agora, Lee volta a comandar mais uma produção cujo maior chamariz é mostrar uma tecnologia top de linha numa obra cinematográfica. O cineasta conseguiu um bom resultado com “Projeto Gemini” (“Gemini Man”, EUA/China, 2019), com ótimos efeitos visuais e uma direção inspirada, principalmente no quesito ação. Só que, tirando isso, não há nada que já não tenha sido visto antes (e melhor).

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A trama é centrada em Henry Brogan (Will Smith), um assassino profissional que pretende se aposentar após uma última missão. Só que ele passa a ser caçado impiedosamente por um homem enviado por Clay Verris (Clive Owen), um de seus superiores.

Brogan fica intrigado ao  perceber que seu perseguidor é, não só muito bom, como também parece prever todos os seus movimentos. Para a sua surpresa, o assassino enviado para matá-lo é, na verdade, ele mesmo. Um clone mais jovem e mais forte, que não mede esforços para cumprir o seu objetivo. Auxiliado pela agente Danny Zakarweski (Mary Elizabeth Winstead) e o piloto Baron (Benedict Wong), Brogan luta para descobrir como foi clonado, ao mesmo tempo em que precisa impedir que sua contraparte consiga eliminá-lo, num confronto que vai mudar suas vidas para sempre.

O que realmente vale a pena em “Projeto Gemini” é o uso da tecnologia 3D+, com câmeras que gravam as cenas com 60 quadros por segundo contra os tradicionais 24 quadros por segundo. Isso faz com que as imagens fiquem mais nítidas, com maior profundidade de campo (o que tornam os elementos em primeiro plano bem mais destacados do fundo, por exemplo) e, alguns momentos, dá a impressão que estamos diante de um tela gigantesca de 4K ou superiores, graças à fotografia digital de alta resolução. Com todos esses recursos, Ang Lee deita e rola, mesmo que algumas sequências (como a que abre o filme) mais pareçam uma espécie de mostruário para possíveis compradores numa feira tecnológica.

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Mesmo assim, o diretor realiza um trabalho exemplar, criando diversos planos-sequência de ação, que empolgam e mostram que o cineasta de “O Tigre e o Dragão” ainda sabe como empolgar quando precisa elaborar cenas complicadas envolvendo tiros, explosões, perseguições de carros e confrontos corpo a corpo. O melhor exemplo disso é quando Brogan enfrenta seu clone pelas ruas de Cartagena, na Colômbia, num momento que consegue criar tensão e espanto no espectador, graças à agilidade estabelecida por Lee.

No entanto, a tecnologia empregada no filme também causa certas estranhezas, como deixar algumas cenas, principalmente as de luta, tão aceleradas que dão a mesma impressão de quando a pessoa está vendo um programa de TV ou um DVD e aperta o botão FF (Fast Forward) para avançar para um próximo momento, o que tira um pouco do fascínio que o cinema exerce no público por sua artificialidade.

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Apesar do deslumbramento causado por suas imagens, “Projeto Gemini” peca no que é essencial para um filme ser considerado uma ótima experiência além da tecnologia: seu roteiro.

O texto, escrito por David Benioff, Billy Ray e Darren Lemke é cheio de situações clichê, como a questão do protagonista ser amargurado com a vida que leva e deseja sair dela após uma última missão, a organização maléfica que realiza operações obscuras em nome da liberdade, o vilão com planos mirabolantes e por aí vai, numa mistura não muito bem azeitada de filmes como “O Sexto Dia” ou mesmo “Star Wars Episódio II: Ataque dos Clones”. Nem as reviravoltas chegam a surpreender graças a total falta de graça e criatividade.

Parece que eles estavam mais preocupados em criar sequências em que precisavam ocorrer explosões e jogar coisas na tela do que criar uma história minimamente interessante, o que é uma pena. Ainda mais quando se sabe que Benioff se notabilizou com seu trabalho em “Game of Thrones”, Ray escreveu “Jogos Vorazes” (e o vindouro “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio) e Lemke foi um dos autores de “Shazam!”. Ou seja, gabarito o trio tinha de sobra para elaborar algo muito melhor do que é apresentado no final das contas.

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Uma das escolhas certas para que “Projeto Gemini” funcionasse foi a escolha de seu protagonista. Will Smith esbanja carisma com seu personagem cansado de guerra e, já nas primeiras cenas, consegue tornar o público como seu cúmplice. Além disso, é notório o esforço do ator para criar duas personalidades distintas para Henry Brogan e seu clone, especialmente nas cenas em que os dois aparecem juntos.

Amparado pelos bons efeitos que o deixam bem mais jovem (embora em alguns momentos o truque nem sempre funciona, deixando suas feições meio artificiais), Smith faz com que a versão jovem do assassino profissional seja convincente como um rapaz impulsivo e inocente, ainda que não entenda exatamente quem é, nem porque faz o que faz, algo típico de jovens desajustados.

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O resto do elenco é bom, mas apenas funcional. Tanto Mary Elizabeth Winstead quanto Benedict Wong funcionam bem como apoio do (anti)herói, embora sem grandes momentos para se destacarem. Wong ainda sofre com a questão de que o roteiro não acerta no humor, tornando suas piadas dignas de sorrisos amarelos e protocolares.

Clive Owen ainda está devendo uma atuação melhor, pois parece que o ator ligou o piloto automático e parece mais interessado no pagamento que iria receber ao final das filmagens do que tornar seu Clay Verris menos superficial.  Pelo menos, ele está um pouquinho melhor do que sua performance pavorosa em “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”.

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“Projeto Gemini” não é perfeito como obra cinematográfica e vai um pouco além do nível de uma simples sessão da tarde. Mas vale a pena assistir para conhecer melhor o 3D+ (embora não esteja disponível na maioria das salas de exibição), que consegue uma imersão bem melhor do que outras produções lançadas recentemente em 3D. Quem tentar encontrar algo mais elaborado além da tecnologia pode se decepcionar. Mas quem for em busca de uma diversão descompromissada não deve se decepcionar. Afinal, se um Will Smith já garante um bom entretenimento, imagine dois.

Cotação: Bom

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Publicado por Célio Silva

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