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“Star Wars: A Ascensão Skywalker” apela para o coração dos fãs para concluir saga

Logo no início de “Star Wars: A Ascensão Skywalker” (“Star Wars: The Rise of Skywalker”, EUA/2019), vemos Rey (Daisy Ridley) continuando seu treinamento para se tornar uma jedi, com um exercício baseado em um um momento em que ela usou a Força no filme anterior, “Star Wars: Os Últimos Jedi”. Até que, bruscamente, ela o interrompe para dizer que algo não está correto e decide fazer outra coisa. E é assim que dá para perceber que a intenção da Disney/Lucasfilm, através do diretor JJ Abrams, quer não só se desculpar pela ousadia e “desobediência” de Rian Johnson, como também dizer: “Calma, agora faremos o que os fãs desejam e vocês vão voltar a gostar da gente”.

Essa “solução” encontrada para agradar gregos e troianos (ou seriam jedi e sith?) é nitidamente bem intencionada. Mas não tira a sensação de que houve um desequilíbrio na Força que move a saga espacial mais amada deste universo e pode não conseguir, no final das contas, conseguir o efeito desejado. Mas o mais curioso de tudo isso é que, embora não consiga realizar todo o seu intento, “Star Wars: A Ascensão Skywalker” está longe de ser um filme ruim. Aliás, muito longe disso.

A trama agora mostra que o surgimento de uma mensagem de voz que pode ter sido enviada pelo então finado Imperador Palpatine (Ian McDarmid) causa um temor tanto na Resistência, agora liderada pela General Leia Organa (Carrie Fisher) quanto para o Líder Supremo da Primeira Ordem, Kylo Ren (Adam Driver). Logo, Rey se junta a Finn (John Boyega), Poe Dameron (Oscar Isaac), Chewbacca (Joonas Suotamo),  C-3PO (Anthony Daniels) e BB-8 numa missão para descobrir o paradeiro do ex-governante e tentar impedir o retorno dessa ameaça. Mas a jovem ainda tem questões com Kylo Ren e com sua própria identidade para resolver no meio desse processo.

A primeira parte do filme, infelizmente, é muito corrida, despejando informações demais num curto espaço de tempo, não dando condições para que o espectador consiga assimilar tudo o que lhe é jogado. O diretor JJ Abrams (junto do roteirista Chris Terrio, de “Argo” e “Batman vs Superman: A Origem da Justiça”) não dá trégua e acredita que, desta forma, o público ficará tão desnorteado que será conquistado mais facilmente desta maneira, ainda mais colocando diversos fan services aqui e ali. Só faltou, no entanto, tentar ser mais lógico para explicar algumas questões primordiais para embarcarmos na trama como a maneira que Palpatine escapou da morte em “O Retorno de Jedi”, por exemplo.

No entanto, a partir da segunda parte, Abrams volta a ter um melhor controle de suas ações e vai dando ao filme aquele senso de aventura que ficou faltando na produção anterior (que perdeu muito tempo numa desnecessária sequência no planeta-cassino Canto Bight), que todos os fãs de “Star Wars” tanto gostam.

Embora algumas reviravoltas sejam bem previsíveis, não dá para dizer que elas são decepcionantes. Além disso, fica bastante claro que Abrams e Terrio se prontificaram a encontrar soluções às questões que, ou não foram bem resolvidas, ou não foram totalmente satisfatórias para o público em geral. Tudo fica mais ou menos num patamar sem grandes audácias, mas sempre de uma maneira agradável.

Vale destacar também que, felizmente, Abrams entendeu que, para que o Episódio IX pudesse funcionar, era necessário fortalecer a união entre os protagonistas. Assim, a dinâmica entre Rey, Finn e Poe funciona que é uma maravilha e ajuda a criar uma empatia com o espectador. Além disso, os roteiristas conseguiram dar mais espaço para personagens clássicos como C-3PO ou Chewbacca, que ganha dois momentos que não tem como não se emocionar ou bater palmas quando acontece.

Outro grande mérito foi a inserção de cenas deletadas de “Star Wars: O Despertar da Força” para justificar a presença de Carrie Fisher na trama. O processo deve ter sido complicado, já que tiveram que ajustar as imagens para fazerem sentido na história e o truque funciona a contento.

Tecnicamente falando, o filme é realmente impressionante na parte visual, principalmente no visual dos planetas e no design das criaturas. As batalhas espaciais estão bem empolgantes, principalmente a que acontece no terço final do filme. Os confrontos com sabre de luz são bem feitos, embora não sejam tão criativos ou emocionantes como nos filmes anteriores. Já a trilha sonora de John Williams continua a empolgar e dá até uma tristeza saber que esse será seu último trabalho no universo criado por George Lucas.

Quanto ao elenco, os destaques vão mesmo para Daisy Ridley, que nasceu para brilhar como Rey, e Adam Driver, que dessa vez não dá nenhum chilique e está bem mais sóbrio como o vilão Kylo Ren. Além disso, como é bom rever Lando Carlrissan, ou melhor, Billy Dee Williams comandando a Millenium Falcon e esbanjando carisma. Isso sem falar em Ian McDarmid, mostrando mais uma vez porque Palpatine é o vilão que todos amam odiar na saga e que sua imponência foi capaz de fazer até o temido e amado Darth Vader se curvar no passado. É uma pena, no entanto, que personagens como Maz Kanata (Lupita Nyong’o) foram pouco aproveitados na trama.

Mesmo não sendo o desfecho que a saga merecia, “Star Wars: A Ascensão Skywalker” se mostra um capítulo que consegue emocionar e empolgar até quem não admira muito a saga que acontece numa galáxia muito distante, há muito, muito tempo. E não tem como pensar que a história, que aconteceu lá atrás quando um jovem de Tatoonie deixou seu planeta natal para impedir a dominação do Império Galático e trilhar o caminho para se tornar um jedi.

Agora, é ver como a história continua, seja no cinema ou mesmo no canal de streaming Disney+, onde “The Mandalorian” (e seu Baby Yoda) parecem manter viva a chama que “Star Wars” proporciona no coração dos fãs. E que a Força esteja com todos nós.

Cotação: Muito bom (4 de 5 estrelas)

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