em ,

TopTop CurtiCurti

The Pathless, um jogo mítico de incrível beleza

Os consoles da última geração estão apresentando todos os tipos de propostas. As grandes desenvolvedoras normalmente querem fazer superproduções; e as produtoras independentes ganham um olhar para essa nova geração que desponta. Annapurna Interactive trouxe jogos indie como What Remains of Edith Finch, Kentucky Route Zero, e retornam pela mão da Giant Squid (Abzu) para entregar uma proposta bastante interessante como The Pathless.

Um game do PS5 que traz uma experiência bem diferente do último review, do dificílimo Demon’s Souls. The Pathless traz um outro ritmo de jogo e da maneira que foi anunciado, o título atraiu de imediato, já que a desenvolvedora é sinônimo de excelência.

Narrativa Clássica 

É complicado para uma produção independente se estabelecer no mercado, por mais que seja relevante que o cenário tenha se tornado na última década. Os projetos sempre possuem um orçamento limitado e os esforços são colocados ou na mecânica, ou nos gráficos, ou na história.. Foi assim com Abzu da Giant Squid, que trouxe uma aventura belíssima, mas sem uma jogabilidade e uma narrativa legal.

The Pathless aposta em uma narrativa enigmática e bem elaborada. Controlamos um jogador, que se aventura numa ilha misteriosa, na esperança de acabar com uma maldição que está se espalhando a partir dela.

Vários outros guerreiros tentaram impedir a ameaça, mas sem sucesso. Ao chegarmos na ilha, já percebemos o número que falharam e que as coisas estão muito piores do que pareciam.

Lembrando do enredo da Princesa Mononoke, seguimos esse caçador por uma terra, onde humanos e deuses coexistem, mas recentemente caíram em conflito uns com os outros, pois o chamado ‘Godslayer‘ os corrompeu e os transformou em demônios.

Assim como Ashitaka, seu papel é limpar essa corrupção e restaurar o equilíbrio do mundo.

Quem lhe acompanha é a própria deusa águia, criadora de tudo, que nos segue, após provarmos que somos dignos das difíceis missões. A partir do resgate dos filhos da águia, a história vai se desenvolvendo aos poucos e por meio de caixas de textos vamos descobrindo o que iremos confrontar. As memórias dos velhos guerreiros são uma ferramenta importante para expandir nosso conhecimento e cenário.

Entretanto, a história não cresce. The Pathless não é um título focado na narrativa, usa o tradicional caminho do guerreiro e não muda o que é começo e o fim da história, mas abusa da contextualização do seu cenário – o que é válido pela exploração do que encontramos no jogo.

Jogabilidade

Um jogo de mundo aberto com uma estrutura principalmente guiada. Após conhecermos melhor a ilha e a situação em que se encontra tudo, aprendemos que é necessário libertar as diferentes zonas dali.

A forma e a ordem com o que fazemos essa travessia depende inteiramente de nós. Lembrando que cada uma dessas áreas culmina em um confronto com um chefão que só pode ser derrotado após três torres de cada área sejam atingidas por missões.

Você usa principalmente o sistema de movimento para viajar entre as regiões da ilha, cada uma delas com uma divindade que se transformou em um demônio. Primeiro, para limpar as torres, que você descobre usando sua visão espiritual. Para limpá-los, você precisa encontrar todos os ícones dourados do deus e colocá-los em cada torre. Você consegue isso principalmente jogando quebra-cabeças – usando seu arco, os movimentos e a habilidade de sua companheira águia de levantar objetos pesados ​​para resolver cada quebra-cabeça.

Para quem lembra de The Legend of Zelda, essas ações são notórias. Os emblemas para iluminar as torres, as missões com os puzzles, bem integrados e de forma orgânica ao cenário do jogo.

The Pathless emula uma espontaneidade clara para os desafios. Que poderia ser melhor, se não fosse o elemento de uma máscara especial, que ao toque de um botão mostra os pontos de interesse que estão ao nosso redor. Saber onde há e onde não há algo importante no cenário, perde-se um pouco da exploração natural dentro do jogo. Embora, a opção de não usar a máscara é bem vinda; além de não termos nenhum tipo de mapa para guiar o caminho.

Provavelmente, onde sentiremos mais a personalidade do jogo é na movimentação do personagem. Nossa arma; o arco, não serve somente para resolver puzzles e destruir bosses, mas também para nos transportar. Nas áreas abertas que atravessaremos há uma série de pergaminhos, que ao serem atingidos por uma de nossas flechas, aumentam nossa resistência, e também impulso pra frente, mesmo no ar, além da própria águia, que nos passa um vínculo muito importante para o jogo.

Uma característica interessante: em certos momentos, é preciso acariciar as asas da águia para remover as impurezas malignas do corpo do animal. O jogador controla a ação diretamente pelo direcional analógico.

E o combate?

Bem, The Pathless não tem inimigos menores espalhados pelo mundo aberto. Essa parte do jogo se limita a explorar e resolver os puzzles. Isso não quer dizer que não haja perigos e ameaças.

Sempre que você chega numa nova área, notamos que uma tempestade vermelha localizada em algum lugar ali. No caso dessa nuvem chegar antes de completar as missões das torres, entramos num minijogo para escapar do chefão sem ser visto.

Quando conseguimos os emblemas para as missões de cada torre dentro daquela área, partimos a perseguir o chefão até pegá-lo. E inicia o confronto, e com padrões de combate lembrando Zelda, devemos decifrar para nossa defesa e ataque. São lutas emocionantes e épicas.

O progresso é bem simples, podemos melhorar as capacidades da águia colhendo cristais para poder voar mais tempo ou ter uma barra de resistência maior.

Com cerca de 10 horas de duração, a jornada  não tem grandes momentos explosivos, quebra-cabeças geniais ou twists narrativos surpreendentes, mas vale pela estética.

Os gráficos

É um jogo com uma arte visual e musical única e usa o poder do PS5 para passar impressões novos no console. Um design de personagens integrados a cada ambiente.  Gráficos minimalistas, com efeitos de iluminação incríveis, uma atmosfera em cada região que entra em choque quando o tom avermelhado/alaranjado da corrupção.

Por fim, The Pathless, com uma boa jogabilidade; mas com uma narrativa simples e tradicional; que apela para o artístico e até contemplativo, que se esforça numa constante para nos colocar no meio de uma experiência interativa e divertida. O que vale para passar algums horas em frente da tela,

Nota: Excelente – 4 de 5 estrelas

The Pathless, um jogo mítico de incrível beleza
4 / 5 Crítico
Avaliação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 Comentários