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Diário de um Banana (2021), animação da Disney busca reiniciar a franquia, mas se perde na adaptação

Final dos anos 2000, a série de livros Diário de um Banana (Diary of a Wimpy Kid) de Jeff Kinney apresentou uma nova perspectiva sobre a vida de jovem ao entrar no Ensino Fundamental II. Kinney desenvolveu uma voz sucinta, combinando seu design simples de desenho animado com uma infinidade de situações desse período que marca a infância e a passagem para a adolescência. A série se transformou numa franquia de sucesso, incluindo uma sequeência de volumes, uma série de TV e quatro adaptações live action para o cinema.

Embora os filmes que saíram tenham tido certo sucesso, com seu apelo ao humor, a franquia faz um retorno, agora numa animação. Produção da Disney, o primeiro filme da 20th Century Studios a ser rotulado como filme da Disney; o filme pega emprestado a história do primeiro livro da série de sucesso, ignorando os filmes anteriores e oferecendo um desenho animado visualmente distinto, em um equilíbrio estranho entre a aparência do material de origem com as convenções para filmes animados em 3D.

Entretanto, o roteiro torna a animação um derivado trivial da franquia. Tem seu encanto, mas não oferece o que encontramos nos livros.

Explicando…

Houve muita expectativa para esse reboot. Um dos diretores mais produtivos da animação, Swinton O. Scott III está a frente da direção, com uma carreira que passa por Futurama, (Des)encanto, vários longas do Scooby Doo, entre outros. E o próprio autor da franquia como roteirista. Scott e Kinney são importantes na adaptação, tecendo bem o romance de piadas pastelão e humor irônico para agradar os fãs mais inveterados do material.

Scott na abertura faz uma reintrodução aos designs do traço de Kinney na abertura, uma decisão que atua como uma homenagem charmosa e um veículo expressivo para as ilustrações que os livros trazem nesse período da infância.

O filme pode agradar ao público pretendido, mas não entretém bem fora dessa esfera limitada. Diário de um Banana (2021) tenta permanecer fiel ao livro de Jeff Kinney, recriando muitos dos mesmos pontos da trama da história original, mas sua execução erra o alvo. A narrativa é uma bagunça e carece completamente de uma estrutura para dar direção à história. No primeiro livro da franquia, a premissa é clara: Greg está no seu primeiro ano no sexto ano do ensino fundamental. O livro começa quando o ano letivo começa e termina quando o ano termina. No filme da Disney, no entanto, não existe esse enquadramento para contextualizar a história.

Mesmo com Greg Heffley (Brady Noon) sendo um personagem nada comum, não consegue convencer só com as gags e as anedotas que o autor apresentou em seus livros. O personagem é  agressivamente desagradável, suas atitudes para com os outros fazem com que torçamos para os demais personagens, em especial o Rodrick Jefferson (Ethan William Childress). A amizade do protagonista com ele parece uma casca vazia do que encontramos nas páginas da série de livros.

Na franquia de livros trabalha com essa temática do personagem ser egoísta e desonesto, mas desenvolve o termo ‘banana” numa estrutura anedótica. No filme perde esse contexto, lembrando que ser uma criança travessa ou desobediente não significa que o personagem não possa ser simpático; todo o arquétipo do “patife adorável” é baseado na própria noção de uma criança que quebra as regras e o filme luta para transmitir a tendência de autodepreciação que o tornou conhecido nos livros.

Já a animação, depois de nos recepcionar com aquele traço iconográfico consagrada pela franquia de livros, estranhamente muda para um estilo 3D. A abordagem mantém o 2D do livro sem transmitir nada de sua expressividade, ficando estranho parecendo mais uma cópia barata do que uma forma sincera de modernizar o material. (vide o exemplo do Manny Heffley, irmão caçula do Greg).

Os fãs da franquia vão pelo menos se divertir assistindo á adaptação. Jeff Kinney realmente escreveu o roteiro – embora isso provavelmente explique por que se adapta tão mal ao apelo dos livros. Talvez esse reboot animado possa servir como uma advertência para a indústria: ser um bom escritor não faz de alguém um bom roteirista e, às vezes, a melhor maneira de permanecer fiel ao espírito de um livro é ter um profissional competente e experiente para escrever a adaptação. Como já foi anunciado um segundo filme, aguardemos um melhor resultado para uma franquia tão legal.

Nota: Ruim – 2 de 5 estrelas

Diário de um Banana (2021), animação da Disney busca reiniciar a franquia, mas se perde na adaptação
2 / 5 Crítico
Avaliação

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