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Balzac e a costureirinha chinesa, de Dai Sijie

Porsa delicada sobre um momento triste da história chinesa

Com um título que chama a atenção. Mesclando o nome do famoso autor francês e o cotidiano das mulheres chinesas, Dai Sijie retrata a década de 1970 e a Revolução Cultural Chinesa. Balzac e a costureirinha chinesa é um livro bem recomendado, lançado em 2013 pela Alfaguara, mas o encontro com o mesmo foi por um acaso, numa doação para a nossa Biblioteca Comunitária.

A leitura nos leva a uma experiência vivida pelo autor. Sijie passou por esse processo de reeducação cultural nos anos 1970. Época que as universidades foram fechadas e tudo foi organizado para a agricultura e para a indústria. Aqueles jovens considerados burgueses passariam pela Reeducação, em locais afastados. Como na fronteira com o Tibete, aprender com extenuantes trabalhos físicos, tratados como bestas de carga, nos campos e nas minas de carvão.

Os protagonistas são filhos de médicos, considerados burgueses. E assim foram condenados a servir quatro anos em uma remota vila nas montanhas, carregando baldes de excremento diariamente por uma colina. Ao conhecerem a jovem filha do alfaiate da aldeia, um lampejo de esperança, junto a sua ingenuidade se inicia. Chega às mãos.vários livros ocidentais proibidos, num baú e Balzac, Stendhal, Dumas, Tolstoi, Dostoiévski, Dickens, Kipling, Bronte e Melville os fazem escapar de sua triste realidade e os levam a conhecer outros cenários. Correndo o risco de vida, eles os adotam como uma forma de salvação..

Baseado em sua experiência Dai Sijie constrói uma fábula moderna sobre sobrevivência e o poder das histórias, no quão podem ajudar em uma situação difícil. A construção dos personagens e do cenário é bem feita, em especial as cenas que mescla as dificuldades da reeducação, alguns aspectos divertidos no campo e os poucos momentos de liberdade das mãos dos livros.

Numa narrativa curta, bastante humorada, mas comovente e emocionante, Sijie faz desse conto maravilhosamente humano que trata de forma lírica a importância da arte e da imaginação. Recomendo a leitura e depois assistam o filme com Zhou Xun, Kun Chen e Ye Liu no elenco.

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Ativista

Publicado por Cadorno Teles

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