Quando várias pessoas comentam sobre um livro ou uma série, sempre atento, e normalmente seguem uma modinha da vez. Porém, não é que Deixada para trás (The girl who was taken) de Charlie Donlea me pegou? O livro, publicado pela Faro Editorial, é um bom suspense, fazendo o autor se reunir a nomes como James Pattersons, John Grishams, Karin Slaughters e Stieg Larssons.

A narrativa de Donlea, que é ambientada entre o passado e o presente, segue a patologista forense Livia Cutty. Ela está determinada em descobrir o que aconteceu realmente com sua irmã caçula, Nicole, que tinha desaparecido há um ano. Nicole e sua colega Megan McDonald, após uma festa, foram feitas prisioneiras e somente Megan conseguiu escapar. Ela agora é uma celebridade, após lançar um livro contando seu martírio, se tornando best seller e uma celebridade, aparecendo em programas por todo o país e promovendo seu romance sobre a provação traumática. A sociedade e a mídia esqueceram de Nicole. Livia não. No entanto, quando aparece o corpo de um homem que está ligado ao passado de sua irmã, ela descobre a primeira pista importante para o desaparecimento.

Antes de começar a ler este livro, devo admitir que tive uma cautela preconcebida, pelo que já expus no primeiro parágrafo. Nos anos que se seguiram à Garota Exemplar (Gone Girl) de Gillian Flynn, uma onda de títulos, todos com ‘Girl’ no título, surgiram. Claro que uma próxima menina seguisse a média. Certamente, The girl who was taken seria mais uma versão juvenil cliché de Gone Girl. Entretanto, Donlea traz uma história de suspense surpreendente, bem única e um tanto multifacetada.

Alguns pontos interessantes sobre o estilo do autor na narrativa: ele descreve precisamente desde a precisão da autópsia e da linha investigativa dando um ar clínico e detetivesco a narrativa. Um toque que permanece durante todo o romance. Um tom assustador também é construído, quando a protagonista descobre a existência de um clube, cujos membros são obcecados com sequestros. Há flashbacks das façanhas adolescentes de Megan e Nicole, que fornecem um forte contraste com o ar sombrio do período presente da história. Funciona em alguns momentos, mas ficou um pouco forçado. O verdadeiro talento de Donlea está claramente dentro do macabro.

As personagens Livia e Megan são intrigantes, que foram apresentadas de uma forma bem realista e ainda misteriosa que ainda que tenha terminado a leitura da última página, queria ainda saber sobre elas. Dentro do arco narrativo e da personalidade, o autor consegue apresentar aos leitores um caráter complexo para seus personagens.

A editora Faro Editorial caprichou na edição dessa obra. As páginas alteram de cor de acordo com o período que está sendo contado (verão do sequestro e o presente), além de outros detalhes que enriqueceram bastante o conteúdo.

Como uma história de mistério, Deixada para trás funciona bem. As reviravoltas e situações são definitivamente satisfatórias. Entretanto há alguns momentos, onde as coisas ficaram um pouco confusas, devido ao número de personagens de apoio dentro da narrativa. Em geral, Deixada para trás é apaixonante, daquelas leituras que você começa a ler e provavelmente não vai querer parar.

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