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“Depois dos vinte, prometo escrever o romance…” discute autoria com a pena do bom argumento

Será que se escreve por fases igual ao desenvolvimento do corpo que tem a cada fase sua etapa: o amadurecimento? Seu zénite onde se chega a um certa paz ou assimilação do nosso conteúdo. Mas esta sintonia de nós com nós mesmos seria uma espécie de ligação entre as nossas defesas emocionais, tal qual, algum tipo de zagueiro torto que partisse para cima, ou  com o nosso meio de campo (uma boa equação) aquele que joga e deixa jogar e ainda o ataque que seriam as projeções ou quem sabe no campo da arte: as idealizações identitárias.

O livro Depois dos vinte, prometo escrever o romance e me chamar Machado de Azevedo (In obras incompletas) Paulo Emílio de Azevedo (Multifoco) do autor que talvez se relacione com certa noção de experiência: mãe de toda transpiração que volatiza  memória em escrita  ou biografia em ficção. O autor traça dentro de um escopo inclassificável, dicotomias entre gêneros, ou similitudes entre olhares que são acima de tudo posições de mediação do autor, aqui no caso, uma voz que incorpora um personagem que vem nos contar de dentro formas literárias com histórias recheadas de prazer e poesia.

Cabe ver como cada gênero, engloba ou deglute um causo contado na rua de forma, docemente, cotidiana. A veia que seria um tipo jeito de conversar ou de contar para cada seção é detalhada ora com humor ora com argúcia de um bom cronista. Ao perpassar cada gênero como a veia poética ou conto, o autor singulariza ou deixa à baila qual pendor ou qual oração émais condizente com qual discurso. A poesia  teria um longo diálogo com dois interlocutores se afirmando e se contradizendo?

Interessante também a forma de cruzar estes diálogos com comentadores de fora. De rascunhar através de perfis, fronteiras entre hibridismos de discursos literários, e vendo ou não dentro dos comentadores possíveis cruzamentos de interpretações cruzadas, de ponderações sobre a gênese da escrita por trás da experiência narrada.

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Publicado por Fernando Andrade

Escritor e poeta, e jornalista, tem dois livros de poemas, Lacan por Câmeras Cinematográficas, e Poemometria lançados pela editora Oito e meio. Participa do coletivo de Arte, Caneta lente e pincel, com contos e poemas. também participa do Trema Literatura, coletivo de textos de ficção. tem entre seus escritores mais amados, Thomas Pynchon, Ìtalo Calvino, e no cinema ama demais Krzysztof Kieslowski.