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Emicida lança antologia “Pra quem já Mordeu um Cachorro por Comida, até que eu Cheguei Longe…”

Aos 24 anos, Leandro Roque de Oliveira saía diariamente do Cachoeira para vender a sua primeira mixtape: “Para Quem Já Mordeu Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe… (2009)” por São Paulo. Por 2 reais então você levada um mixtape em CD-R gravado em casa, embalado por papel craft e com capa feita com carimbo.

Em um ano, foram mais de 10.000 cópias vendidas e a história continua sendo escrita por aquele que é, hoje, um dos principais artistas do país. Dez anos depois Emicida revisita sua históra com o livro “Antologia Inspirada na Mixtape Para Quem Já Mordeu Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe…” , da Editora LiteraRUA em parceria com a Laboratório Fantasma.

A mixtape inicia com o verso verso “É difícil plantar ambição, sem ver a ganância nascer” e se encerra com “E antes de escrever um rap, me liga e pergunta se pode”. Da faixa 1 a 25, são muitas ideias, histórias de vida, contextos e sentimentos. Como Emicida sempre entendeu a música como um diálogo, ele decidiu convidar outras pessoas para se debruçar sobre a sua estreia fonográfica em um formato de faixa a faixa comentado. Ao longo das 168 páginas que compõem o livro, o público se aproxima do artista e da sua obra pela perspectiva histórica, coletiva e afetiva.

Partindo de um prefácio escrito por Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil em 2009 (quando Emicida, no Cachoeira, no quartinho calado, preparava sua mixtape de estreia), a antologia ressalta a importância do mestre(a) de cerimônias e da cultura hip hop, por exemplo. Isso se dá pela caneta da atriz-MC Roberta Estrela D’Alva, incumbida de comentar “Intro (É Necessário Voltar ao Começo)”. “Por meio da sua voz, abre caminho para que muitas outras vozes sejam ouvidas”, afirma. O poeta Sérgio Vaz, por sua vez, traduz “Pra Mim (Isso É Viver)” como um filme que passa diante dos seus ouvidos e resume: “cantar a quebrada é entender que a periferia não é um lugar, é um sentimento”. Leci Brandão faz um paralelo entre o rap e o samba presentes em “Ainda Ontem”: “ele faz freestyle, a gente faz partido alto”.

A jornalista Eliane Brum ressignifica a visão dos nossos olhos domesticados ao comentar “Só Isso”. Sua fala é sobre “reexistir”, tendo como desacato a delicadeza. Já Mateus Potumati, também jornalista, identifica – em “Sei Lá” – a desconstrução de temas feita pelo rapper paulista. “Ao assumir abertamente, logo na introdução, sua vulnerabilidade em relação à mulher que o faz sofrer, Emicida rompe com a postura inabalável do eu lírico (normativo) de uma crônica de relacionamento”, explica.

“Quando Emicida retrata a vida do jovem negro e pobre da periferia das grandes cidades, ele lida com o efeito palpável deste processo de abandono e de ódio secular”, diz o necessário texto – sobre “Cidadão – do professor, escritor e sociólogo nordestino Jessé Souza. E continua: “O jovem da periferia já nasce sem futuro. Nasce para morrer jovem, sem que sua morte produza dor ou luto”.

Força de expressão seria dizer que “Triunfo”, faixa que catapultou o nome de Emicida, é um capítulo à parte. E é mesmo. Autor do livro “Rastros de Resistência”, Ale Santos faz uma contextualização primorosa (afinal, é o Negro Drama do Storytelling) dos séculos de escravidão que paralisaram a história de vários povos africanos e chega em “Triunfo” ao perceber o rapper paulista como alguém que “reconhece o poder das narrativas ancestrais, como consegue moldá-lo para construir seu próprio império em diáspora”. CEO e fundadora do Movimento Black Money, Nina Silva fala como o racismo estrutural resultou também em um abismo socioeconômico”. Profissional do texto, Arthur Dantas define em sua vez: “‘Triunfo’, uma dessas faixas que encapsulam um breve espaço de tempo em espécie de manifesto urgente, apresentado perfilando versos angulosos e contundentes, descarregando todo um arsenal de temas imagens numa sequência inaudita de punchlines venenosas”.

Ao todo, 105 pessoas mostram a sua interpretação das faixas de Para Quem Já Mordeu Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe… Cada capítulo é precedido ainda por um curto comentário de rappers e músicos, entre eles Karol Conka, Rael, Djonga, Thaide e Criolo. As 25 faixas foram ainda reinterpretadas por artistas em ilustrações que remetem ao universo das histórias em quadrinhos que tanto inspiram Leandro Roque de Oliveira, o Emicida, aquele das 7 letras e um propósito: “eu não vou parar”.

Antologia Inspirada no Universo da Mixtape – Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe…
Autor: Emicida
Categorias: Antologia / Arte / Música / Rap / Graphic Novel
Editora: Laboratório Fantasma / LiteraRUA
Páginas: 168
Dimensões: 32X23 cm.
ISBN: 9788566892246
Ano: 2019

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