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Livro “Embrião” poetiza o solfejo da vida musical

E se ao virar a página algumas pessoas já dizem disto um tipo de mudança ou de comportamento, como se não pensar mais no percurso… Mas penso também que ao folhear os livros e pensando na estação do Outono em que outras folhas envelhecem e caem de suas origens que são as árvores – frutos ou não da vida ou do próprio conhecimento de si.

Assim também como a leitura que temos dos outros como um livro aberto (ele é um livro aberto) ou até mesmo fechado, não se distingui muito do que faremos com aquele livro comprado em alguma livraria e trazido para casa para no conforto de uma cama, ou até numa estimável poltrona inicie a leitura ou como prefiro chamar: leituras são processos do desejo.

Por isso tendo a achar que a vida é um embrião ambulante onde a ação em molde ou em percurso está sendo sempre formatada até porque não sabemos nada do que é uma vida? sabemos? fatos biográficos a definem? Por isso recorro sempre aos livros de poesia como questionamento. Estou lendo um agora que começa sua numeração ou paginação pelo fim e vai decrescendo às origens, ao zero geracional, ou primeiro um. Mas como contar uma vida, amigos? Digo, os fatos às vezes não o bastam. Eles são traiçoeiros, muitos deles tem várias faces ou mil faces.

Prefiro à trova ou a balada, não esta deste seresteiros pós-modernos que vão à noite como se não tivesse mais nada à fazer. Me refiro a balada musical, de uma certa composição melódica que podemos até associar a um fado triste ou fardo que mais me remete à forma de ver a vida de forma pesada: acumulativa. Mas não neste livro, Embrião do poeta César Magalhães Borges editado pela Reformatório que é um belo livro de poemas.

Mas me ocorreu que estou a falar de trás para frente como algum lead jornalístico que ao se colocar (n)a cabeça no texto, colocamos ao pé da página, num surto de digressão. Como tal machado, cortando os pés pela cabeça. Um repertório afetivo de uma vida, como nos compomos ao outro, as situações de enredo mais cotidianas e prosaicas sendo ou tendo sempre um olhar poético para as comissuras da vida, aquilo que fica entre, línguas, ou idiomas, o que é modal para uma vida em obra, em progresso, como a percebemos em seus detalhes, a palavra que rutila no dia a dia não é a mesma que o poeta burila numa canção, num poema.

César lapida cada estrofe, cada verso com um senso de exatidão vocabular e de compasso melódico impressionante. E no seu formato de uma gravação onde a fita se rebobina para trás, filigranando cada pedaço ou espaço do poema de momento experiencial, em que a criação pousa em dias férteis criando fagulhas em cada pertencimento desenvolto ou evento (to)atual.

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Publicado por Fernando Andrade

Escritor e poeta, e jornalista, tem dois livros de poemas, Lacan por Câmeras Cinematográficas, e Poemometria lançados pela editora Oito e meio. Participa do coletivo de Arte, Caneta lente e pincel, com contos e poemas. também participa do Trema Literatura, coletivo de textos de ficção. tem entre seus escritores mais amados, Thomas Pynchon, Ìtalo Calvino, e no cinema ama demais Krzysztof Kieslowski.