Se olho apreendo tudo que o meu visor coleta em foco. Foco que está a curta distância com detalhes precisos? Não se for míope, foco a longa distância os tropos/enredos, porque uma cadeira mesmo à distância tem um história – alguém sentou lá antes do narrador-olho botar sua lente em cima. Porque só vemos as pequenas costuras? Tudo que olhamos de perto como uma cena para tão logo pudermos falar sobre ela, desde uma pequena crônica até um iniciação poética baseada numa cena epifânica.

Mas há uma longa jornada, talvez um tipo de caminho da filosofia de questões que estão além dos nossos olhos, ou que os olhos só captam pela metade, cabendo ao pensamento numa forma de Caverna de Platão, deduzir através de imagens que são sempre dupla hélice, dupla face, contendo uma carga viral que se reproduz logo, outra enrodilhada numa cápsula protegida talvez pela memória, pronta a ser disparada quando um certo gatilho acionar.

Por que, num certo momento da vida, um velho se lembrará de um fato isolado que ficou retinto e escondido dentro da sua lembrança? Talvez um grão de poeira ou uma noz moscada acionará uma certa emoção que reconectará ele à um tipo de emoção ou perdida ou represada, talvez lágrimas caiam da sua face.

Tais alumbramentos me pegaram de jeito enquanto lia o livro de poemas do Magno Mello, Velhos poemas escritos somente agora. (Editora Oito e meio). Sua forma de prosar o poema numa longa jornada noite adentro, interlocutando tantos discursos dentro do poema, como comentários, informações históricas, e fazendo do poema uma longa cauda grudada ao corpo fazendo uma forma de autonavegação, criando tanto um tipo de velocidade, quanto um outro de expansão de conteúdo-forma.

Uma lembrança de como aqueles textos onde se comenta do que o hipertexto produziu quando começou a ser desenvolvido e divulgado. Uma rede textual e semântica que poderia navegar um pouco, como funciona a internet hoje, através de janelas conectivas onde informações são cruzadas e conectadas.

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