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Marlon James é o primeiro autor confirmado da Flip 2017

Marlon James tinha seis anos quando Bob Marley, então um símbolo da contracultura e da luta racial, sofreu uma tentativa de assassinato. Aquela Jamaica da década de 1970 é o pano de fundo de seu romance A Brief History of Seven Killings, que fez do escritor o primeiro jamaicano a receber o Man Booker Prize, um dos mais prestigiados prêmios literários em língua inglesa.

Primeiro nome confirmado na Feira Internacional de Paraty (Flip) 2017, no mês de julho em Paraty, o autor falará de sua história de vida, sua experiência com a literatura, com o racismo, da vida como estrangeiro nos EUA e de seus pontos de contato com o Brasil e os brasileiros.

Nascido em Kingston, na Jamaica, em 1970, Marlon define a si mesmo como um “nerd”. Filho de um advogado –leitor de Shakespeare – e de uma investigadora policial, cresceu em um típico subúrbio anglo-saxão – importado para os trópicos –, foi educado em colégio inglês e sempre mais afeito à leitura do que aos esportes.

No Wolmers Boys School, sofria também a discriminação por efeminado – e gay – num país que se libertou da Inglaterra mas não da lei de criminalização da homossexualidade. James teve então de libertar-se de sua terra-natal.

Com duzentos dólares no bolso, partiu para os EUA, onde hoje leciona literatura no Macallester College, em St Paul, Minnesota, e escreveu o livro que o faria conquistar um dos maiores prêmios literários mundiais – isso depois de ter seu primeiro romance, John Crow’s Devil (2005), recusado 48 vezes. O segundo, The Book of Night Women (2009), teve já reconhecimento: ganhou o Dayton Literary Peace Prize e foi finalista do National Book Critics Circle Award.

A Brief History of Seven Killings, que será publicado no Brasil em junho pela Intrínseca, narra, por meio da multiplicidade de vozes e idiomas, o assassinato de sete homens da equipe de Bob Marley. A trama – real – ganhou personagens, vozes, fantasmas e alterna o inglês culto e as gírias jamaicanas e do Harlem, em Nova York, com doses de escatologia, o que o torna um desafio de linguagem.

Segundo Mauro Munhoz, diretor-geral da Flip, “a escolha de um autor cuja obra recente está marcada pela diversidade na linguagem se casa perfeitamente com o território de Paraty, também marcado por uma rica diversidade.”

O homenageado da Flip 2017 será o escritor Lima Barreto. A festa literária acontece de 26 a 30 de julho.

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Publicado por Redação

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