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O Jovem Sherlock Holmes: Parasita Vermelho

Segundo volume da série que apresenta o célebre personagem Sherlock Holmes ainda adolescente. O autor da série, Andrew Lane, envolve a criação de Arthur Conan Doyle em um período que ainda estava desenvolvendo suas habilidades que lhe darão fama: a mentalidade lógica, as pericias de combate, etc. Nesta segunda aventura, Parasita Vermelho (Red Leech, tradução de Débora Isidoro, 320 páginas, Intrínseca), Sherlock se envolve com os segredos de seu tutor, o misterioso norte-americano Amyus Crowe. Tudo se inicia quando o irmão de Sherlock, Mycroft, revela que sua visita não tinha somente o propósito de rever o irmão, mas alertar sobre um famoso e perigoso criminoso, que supostamente morto, está escondido na Inglaterra. E como Crowe tem alguma relação com o caso, Sherlock, curioso, e como ninguém parece disposto a lhe contar algo, arrisca investigar e parte para uma aventura que lhe levará ao outro lado do Atlântico, para o centro de uma trama mortal.

Qualquer um que leia minha resenha anterior (Nuvem da morte) pode notar que sou um fã de Sherlock Holmes. E o autor, após conseguir a autorização da própria família Doyle, conseguiu se afirmar ao escrever uma ótima versão, e com grande sucesso; aqui no Brasil, a primeira aventura teve um bom êxito de vendas, figurando nas listas de mais vendidos. Aos críticos devo lembrar que o personagem de Lane é bem diferente da criação de Conan Doyle, ele tem apenas 14 anos, e os detalhes sutis e as experiências que distribui ao longo da série são as sementes das quais o personagem adulto terá crescido. E a meu ver, em Parasita Vermelho, é mais nítida essa peculiaridade do que em Nuvem da morte.

Ambientada algumas semanas depois da ação de Nuvem da morte, a história continua incorporando elementos holmesianos, explicando de onde vêm alguns aspectos do futuro detetive. O primeiro volume serviu como apresentação, onde conhecemos a situação em que Sherlock se encontrava após seu pai viajar para a Índia. Agora temos a oportunidade de conhecê-lo em outras nuances, algo bem usual em séries de livros, onde o primeiro título exige mais ação e deixa para o segundo o desenvolvimento do caráter do protagonista. E Lane se lança nesse desafio, como podemos observar em alguns maneirismos conhecidos de Sherlock quando adulto, intermediando momentos entre a sutileza e a perspicácia do pensamento do personagem. Nem todas essas minúcias estão diretamente relacionadas com a aventura que ele se encontra, mas muitos delas demonstram o nascimento de uma mente dimensionada pela lógica. Satisfaz ver o contexto do futuro detetive ao analisar o uso de mensagens codificadas pela primeira vez ou a idealização em sua mente de escrever uma enciclopédia para identificação de criminosos. Estes e muitos outros momentos são o que tornam esta segunda narrativa ainda mais agradável do que a primeira.

Com uma narrativa mais de suspense do que de ação, Parasita Vermelho tem um bom ritmo e a tensão diverte pela imprudência adolescente. Lane constrói cenas em que o personagem só pode confiar exclusivamente na sua própria inteligência e desejo para permanecer vivo, ao contrário de heróis modernos, como Alex Rider ou Max Ride. Sem falar da sorte, que em certo ponto, intercede de forma sobrenatural.

Sobre os personagens, conhecemos mais a fundo Crowe, o tutor de Holmes e a razão pela qual ele viva na Inglaterra. O vínculo do norte-americano é de cunho político-histórico, ele é um agente que rastreia criminosos da Guerra Civil dos EUA. Uma premissa sobre a qual o enredo é construído e, em minha opinião, funciona muito bem. Em relação à concepção do vilão, incomum e bem sádico por sinal, o antagonista dá para a história algumas das cenas mais cruéis que já vi numa série juvenil.

Uma recriação digna, com o toque imprevisível do autor original. Recomendo e fico no aguardo do terceiro título, Gelo Negro.

[xrr rating=4.5/5]

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