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“Sem Amor”, de Alice Oseman, uma narrativa envolvente sobre sexualidade e assexualidade

Georgia nunca se apaixonou, nunca beijou ninguém, nunca nem teve um paquera. Mas é uma eterna romântica obcecada por fanfics, que tem certeza de que vai encontrar sua pessoa um dia. É isso que uma sociedade obcecada por paixão e sexo lhe ensinou.

Quando começa a universidade em uma cidade diferente e bem longe de casa, Georgia está pronta para encontrar um grande amor. Com a ajuda de Rooney – sua colega de quarto extrovertida que vive tendo relações casuais e parece não ter problema nenhum com isso – e uma vaga para atuar no grupo de teatro, seu sonho adolescente nunca pareceu tão próximo.

O problema é que, quando seu plano romântico causa uma enorme rixa entre seus melhores amigos, Pip e Jason, Georgia acaba em uma comédia de erros digna de Shakespeare e começa a questionar como o amor pode parecer tão fácil para outras pessoas, mas tão impossível para ela.

É aí que um novo amigo lhe apresenta alguns termos e conceitos – assexualidade, arromanticidade – dos quais ela nunca ouviu falar, mas que parecem representá-la como Georgia jamais imaginou. De repente, ela se sente mais insegura do que nunca sobre seus sentimentos.

Será que está mesmo destinada a permanecer sem amor? Ou será que só estava procurando a coisa errada esse tempo todo? Quanto mais ela vai ter que esperar pelo seu felizes para sempre?

Análise

Alice Oseman é uma escritora e ilustradora inglesa de ficção para jovens adultos. Com obras com temáticas juvenis atuais, como Rádio Silêncio ou Um Ano Solitário, recheadas com diversidade e representatividade. E com Sem Amor (Loveless, 2020) a autora traz um romance fantástico com uma história sobre como é chegar a um acordo sobre ser arromântico (aroace) em um mundo onde romance e sexo parecem ser o objetivo final da vida.

Geórgia, a protagonista é apresentada tentando se convencer de sua necessidade de encontrar um parceiro e, portanto, o amor. Como a sinopse diz, ela nunca teve uma paixão ou beijou alguém, então a chance de se descobrir seria na universidade…e até que ela aceite sua sexualidade e toda sua vida comece a fazer sentido.

Apesar do título, Sem Amor (Loveless) é uma narrativa que transborda do sentimento, por todas suas páginas temos o amor: o amor-próprio, o amor platônico, o da amizade, aquele amor romântico, dá para escolher. Tudo bem contextualizado, mostrando o quanto o amor envolve os arromânticos, mesmo que o ideal de amor da sociedade diga o contrário. A história de Georgia mostra que não precisamos estar em um relacionamento para experimentar (ou testemunhar) o amor. O amor está em toda parte e todas as suas formas são igualmente importantes.

Os livros anteriores são amostras convincentes sobre amizades. E em, Sem Amor (LovelessAlice Oseman apresenta sua cereja do bolo, coroando oficialmente a autora britânica como a rainha das amizades. Sua habilidade em retratar esse laço entre amigos é notável. Divertido, realista, comovente, agridoce. As amizades que ela estabelece entre seus personagens estão verdadeiramente vivos entre as páginas. As amizades dificilmente são o centro das atenções na literatura, e aqui encontramos aquele oásis que não encontraremos em outros livros para jovens.

Cada personagem ganha uma voz diferenciada que os destaca dos demais. Embora toda a narração dependa de sua protagonista, seus três melhores amigos – Pip, Rooney e Jason – têm suas próprias vidas, lutas e relacionamentos. E Oseman coloca presença em todos, do núcleo da protagonista aos personagens secundários.

Capa norte-americana

Dividido em cinco partes, Sem Amor (Loveless) mantém um ritmo constante que dá a autora espaço suficiente para imbuir a história com muitas nuances. Não há dúvida de que a autora teve extremo cuidado em retratar essa história particular, não apenas para os leitores que puderam se identificar com a experiência da Geórgia, mas também para aqueles que podem nunca ter ouvido falar sobre esse espectro assexual. Oseman detalha cada ponto, explicando sobre a experiência arromântica, não apenas se limitando à história de Geórgia. E como muitas pessoas ainda não sabem o que é assexualidade ou têm uma concepção equivocada dela, suas explicações são muito necessárias.

Além dessa abordagem, a narrativa também lida com o tema da ida para a universidade. Pondera sobre certos comportamentos às vezes são aceitos sem pensar pela sociedade, como a cultura de beber ou a pressão para começar um relacionamento cedo demais ou considerar alguém estranho por nunca ter beijado ninguém ou feito sexo antes da universidade. A pressão para encontrar um parceiro faz com que todos se sintam inseguros, independentemente da orientação sexual.

Conclusão

Sem Amor é um belo conto de autodescoberta e autoaceitação, bem como uma celebração de amizades. Alice Oseman oferece um trabalho que mostra os meandros da conexão humana e a importância de valorizar aqueles que nos rodeiam para criar uma comunidade de apoio e amor em um mundo que sempre parece ir contra nós. Surpreende, por não ser uma literatura comum a outros gêneros já lidos; uma descoberta, que acrescenta um olhar de aprendizado que desconhecíamos. Recomendamos.

Nota: Excelente – 4 de 5 estrelas

“Sem Amor”, de Alice Oseman, uma narrativa envolvente sobre sexualidade e assexualidade
4 / 5 Crítico
Avaliação

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