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Akira, um olhar dentro do abismo

Akira é um longa metragem de animação japonesa baseado no mangá de mesmo nome, ambos escritos e produzidos por Katsuhiro Otomo. Porém, Akira também é muito mais que isso, pois como qualquer indivíduo, uma grande obra de arte também se comprime sob seu universo próprio.

Na trama do filme, que difere bastante do mangá (mas isto é tema para outro artigo), conhecemos a cidade de Neo-Tóquio três décadas depois da terceira guerra mundial através da gangue de motoqueiros comandada por Kaneda, um rapaz de quinze anos que cresceu como tantos outros sob os escombros do mundo arruinado pela ganância humana. Desiludidos com a sociedade, o maior problema de Neo-Tóquio, como provavelmente de outras cidades do mundo fictício de Akira, é a completa alienação perante o futuro. Kaneda e seus amigos passam os dias procurando brigas e infringir leis.

Akira, um olhar dentro do abismo | Anime | Revista Ambrosia

Mas tudo muda quando Tetsuo, o membro mais novo da gangue de motoqueiros, acidentalmente colide com uma estranha criança com aparência anciã, possuidora de poderes psíquicos e caçada pelo governo. Levado pelos militares contra sua vontade, Tetsuo também é descoberto um poder latente da mesma espécie que originou “Akira” e a terceira guerra mundial.

Este é apenas o ponto de partida do filme/animê Akira, cuja grandeza se encontra na crítica e debate social mostrado através dos muitos personagens no decorrer do filme. Entre os principais temas estão a corrupção do estado, cada vez mais presente na sociedade que coloca o dinheiro acima de outros bens; o perigo do poder das forças armadas nesta sociedade de compromissos tão divergentes; a já comentada alienação da juventude perante o estado displicente; e principalmente, a força do ser humano perante a inadequação do meio – um conceito mais complicado, mas de suma importância para o sucesso e influência desta animação nas últimas duas décadas.

Akira, assim como outros grandes animês, possui um caráter filosófico marcante. Parte devido ao xintoísmo na sociedade japonesa, mas também pelo influência cyberpunk tão influente no trabalho de Katsuhiro Otomo. Não é exagero colocar Akira ao lado de Blade Runner, o grande clássico do gênero nos cinemas. Marcado pelo contraste alta tecnologia e baixa qualidade de vida, o cyberpunk se adequou perfeitamente a mensagem niilista, aqui mais presente na animação que nos quadrinhos.

Akira nos oferece uma brilhante do abismo e a animação do filme, liderada pelo traço único de Katsuhiro Otomo, não fica atrás, mas vou dispensar mais elogios para incentivar qualquer apreciador da sétima arte buscar assistir ao filme.

[xrr rating=4.5/5]

Akira, um olhar dentro do abismo | Anime | Revista Ambrosia

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