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Daisuke Igarashi apresenta o seu Children of the Sea

Capa da edição

Um dos mais importantes mangakas da atualidade, com uma arte belíssima, enfim tem sua obra chegando ao Brasil.

A Panini traz Children of the Sea de Daisuke Igarashi, após Witches, presenteia os leitores brasileiros com o primeiro volume deste que é um dos autores mais originais no Japão, que ainda não conhecia, e muitos comparam com a genialidade de Hayao Miyazaki.

Em Children of the Sea a atração e o temor humano pelos oceanos são abordados para compor sua narrativa. Igarashi pega da origem de numerosas lendas, de diversos seres mitológicos que vivem escondidos nas profundezas para trilhar os mistérios que envolvem as marés e as ondas, uma narrativa sobre a real origem do mar, segundo o autor, uma história que nunca antes tínhamos ouvido falar.

Publicado em 2007, Children of the Sea (Kaijuu no Kodomo na edição japonesa), nas páginas da revista Ikki de Shogakukan;  seguindo até 2011, quando seu autor a concluiu, num total de 5 volumes recompilados em tomos de quatrocentas páginas. A Panini publicou o primeiro volume recentemente, numa edição caprichada, com capa em alto relevo, fosca com verniz localizado, miolo em papel offset e 320 páginas

Nas férias de verão, Ruka conhece Umi e Sora, dois meninos de origem estranha e misteriosa. Fascinados pelas crianças que nadam como se voassem pelas águas do mar, Ruka e muitos adultos estabelecem uma complexa relação com elas. Os dois meninos são criados por Jim, um cientista que os recolheu do mar quando eram menores e estuda a surpreendente fisiologia das crianças que foram criadas por dugongos. Enquanto isso, um fenômeno inexplicável ocorre em vários locais pelo mundo: peixes começam a desaparecer e um estranho meteorito cai. 

A narrativa neste primeiro volume é principalmente um slice of life da protagonista, Ruka, suas férias, sua família, como conhece Umi e Sora, os dois meninos que serão a pedra angular que gira a história de Igarashi, sem esquecer que o mar, o oceano em si está presente em todo momento, como um personagem misterioso em meio a trama.

Apresentado o argumento, enquanto o mangá poderia ter sido concebido como uma aventura juvenil, onde os meninos investigam os mistérios que rondam aquele litoral, Children of the Sea é uma história que aborda ideias, pensamentos metafísicos que o autor decidiu expressar na forma de um segredo, um mistério que envolve o mar, o desaparecimento dos peixes e dos dois meninos.

Uma história de dualidades, que inicia com a ciência e os mitos de mãos dadas, mas que ao longo do seu desenvolvimento, sem rechaçar a primeira, o autor toma os mitos como única explicação aos fenômenos sobrenaturais que nos apresenta. Como um aviso aos humanos, semeando a dúvida. Porém, a história a meio caminho entre a realidade e a fantasia, ao menos neste primeiro volume, não consegue a empatia da leitura. A narrativa entretém, mas não consegue passar a profundidade como em principio o autor quer chegar, mas como é um volume introdutório, prepara bem para a continuidade da série.

Chegamos no ponto mais interessante da obra, desde a primeira página o que mais destaca é a espetacular arte de Igarashi. A composição dos personagens por traços leves e difusos, o uso do cinza para separar a profundidade do céu e do oceano, a forma que trabalha os detalhes a cada momento (Ruka numa bicicleta enquanto chove, por exemplo, ou o movimento da água em pequenas ondas, chocando contra um barco). Igarashi se empenha em dotar em cada quadro movimento, e seu desenho consegue o dinamismo entorno os personagens.

Em suma, Children of the Sea mostram as belas paisagens das águas ao redor do Japão, como também se apresenta como um catálogo marinho, mais que a história, que está ocorrendo, está presente a beleza da natureza, os seres vivos que povoam o oceano, o ecossistema em si, da sua forma mais bela, quanto terrível.

Contracapa da edição.

Children of the Sea é uma obra com um tom ecológico sobre a amizade que nasce entre Ruka e os meninos do mar, Umi e Sora, uma metáfora sobre uma época onde descobrimos nossas singularidades, enquanto sentimos ao mesmo tempo estranho e único, a adolescência. O mangá peca pelo excesso de seriedade e na falta de humor, mas Daisuke Igarashi não é apenas um artista fabuloso, mas um incrível contador de histórias. Um mangá realmente incrível e uma introdução para toda a série. Acompanhar e desvendar a história de Umi e Sora realmente irá lhe capturar.

 

Nota: 5/5

 

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Publicado por Cadorno Teles

Habitante das terras áridas dos vales, guerreiro aposentado que desgraçadamente foi jogado numa dimensão que ninguém acredita nele. Se tornou professor, e nos momentos livre aproveita para ler e levar livros pelo sertão. RPG, quadrinhos, literatura e cinema estão entre seus vícios, para esquecer ou mesmo lembrar de seu mundo originário.