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Álbum "Open Drive", do projeto Baião de Spokens, entrecruza discursos sonoros, narrativos e críticos

A cidade é tão imensa. Vê só, Itamar cantou. Aqui não há saídas, só ruas, viadutos e avenidas. Cada carro, ônibus em sua faixa. Até o BRT tem a sua exclusiva com os terminais de passageiros de carga e descarga. Só pare nos sinais e atravesse na faixa do pedestre. Lembrei-me do vinil e suas faixas numéricas onde os sulcos são a via de mão única da audição da bolacha. O vinil já virou coisa de colecionador, até de bolsa ele serve, já viram? A bolsa de vinil com crochê.
Mas de uns tempos para cá a coisa está digital. Não se compra mais CD, temos os arquivos sonoros. E se você quer andar pela cidade na sua faixa de pedestre ou no ônibus, temos o pen drive um dispositivo para armazenamento de áudio e também imagens.

Segmentou? (entendeu?)

A interessante proposta do músico e poeta Caco Pontes é falar e usar estes dispositivos  como a famosa frase: o meio é a mensagem. Aqui o pen drive são as faixas do antigo álbum, palavra que também conota uma coleção de fotos, reunidas, de uma vida de alguém. Interessante notar que a música sempre pareceu ser um recorte ou mosaico de recordações assim como gravar em inglês é record. Usar o pen drive para armazenar. Não à toa, musicar um momento de alguém é embalar com uma canção, uma relação de afeto importante entre duas pessoas.
Baião de Spokens é o nome do projeto do poeta, algo extremamente viceral pela proposta de mexer com linguagens diferentes como a intervenção, performance poética, o hibridismo que a tecnologia possibilita na mistura de ritmos e estilos brasileiros a até estrangeiros. São doze faixas do álbum “Open Drive”, que Caco chamou uma grande gama de artista de ponta da MPB brasileira, incluindo poetas. Cada faixa fica capitaneada por um “cantautor” que dá voz e vida a tipos de canções que são narrativas com enredo e um discurso na maioria das vezes com um humor muito referencial aos quadrinhos.
 

Ele abre com Melô do pen drive’. Numa deliciosa sátira aos vendedores ambulantes que soltam o gogó nas vias-faixas da cidade. Quem? nunca os usou para comprar seus pens quando precisa. A faixa três, Sophia Lacosta’, brinca ao mesmo tempo com a famosa marca de camisa e homenageia carinhosamente uma personagem da clássica MPB paulista onde Arrigo Barnabé imortalizou na canção ‘Clara Crocodilo’. Assim como a faixa 7 também usa esta espécie da fábulário animal, neste caso, falando de uma mariposa suicida numa letra engraçadíssima.
Sim, a tecnologia, aqui no caso, não apenas auxilia na gravação-armazenamento. Ela bagunça discursos, ela faz pontes de traçados sobre o hábito e o costume do homem na cidade. Tão democrático porque facilita o acesso as vias de informação. Cruzar uma rua entre um cruzamento é tão importante quanto cruzar fatos, ideias biografias, referências  entre consumidores, entre aqueles que se dispõe a não facistizar o meio social.
As participações no disco são de Alice Ruiz, Alzira Espíndola, Arrigo Barnabé, Cabelo e Galo (Trupe Chá de Boldo), Dani Nega, Daniel Gralha (Bixiga 70), Daniel Viana, DJ Tano (Z’África Brasil), Iara Rennó, João Sobral, Kiko Dinucci, Lirinha, Peri Pane, Rafael Cordeiro, Samba Sam, Sandra-X e Suzana Salles. Você pode ouvir  álbum completo aqui.

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