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David Bowie retorna soberbo com “Blackstar”

Três anos depois de surpreender o mundo no dia do seu aniversário com um novo álbum “The Next Day”, David Bowie, mas uma vez na sua data festiva, em que comemora 69 anos, lança um novo disco. “Blackstar” (ISO Records/Columbia 2016) vem imbuído da sofisticação característica do artista, que , embora recluso, se mantém profícuo.

A faixa título, que abre os trabalhos, é o cartão de visitas, dando o tom do disco. A faixa foi lançada como single em 20 de novembro e foi usada na abertura do seriado da BBC “Black Panthers”. Inicia-se com uma batida drum and bass que logo adiante se entrelaça a um belo solo de sax. Temos ecos da fase Berlinense (dos álbuns “Low”, de 1977, “Heroes” de 1978 e “Lodger”, de 1979) e da fase electro da segunda metade dos anos 90. E no meio (a música dura quase 10 minutos), se transforma em uma variação mais melódica, até ser interrompida abruptamente pela seguinte, ‘Tis a Pity She Was a Whore’.

Essa segunda faixa, dançante e classuda que só ela, também é facilmente identificável como uma composição de Bowie, desta vez, acenando para a fase anos 80. Assim como a quarta faixa, ‘Sue (Or In A Season Of Crime)’, a música já tinha sido lançada avulsa em 2014, mas ganhou regravação adicionando saxofone.

‘Lazarus’ é a faixa mais contemplativa do álbum, algo na linha do lado b de “Low” cheia de densidade e texturas. Da mesma forma que ‘BlackStar’, também havia sido lançada como single digital (em 17 de dezembro). ‘Girl Loves Me’ e ‘Dollar Days’ se sucedem em perfeita coesão com a atmosfera do álbum, que fecha com a belíssima ‘I Can’t Give Everything’. Mais uma vez o sax, propositalmente a grande estrela deste novo trabalho, se sobressai, mas também abre espaço para uma guitarra elétrica.

“Blackstar” de fato não é um disco de rock, pelo menos não na sua acepção mais literal. Bowie quis enveredar pelo jazz, soul e, claro, trabalhar com o experimental, que lhe é tão caro. Porém, mesmo não contendo guitarras distorcidas e predominantes, a pegada roqueira do camaleão está ali. Se é que se pode assim dizer, essa é a nova fase de David Bowie: um artista independente que produz e se promove quando e como quer, sem amarras contratuais. Nem turnês são programadas (a última foi a Reality Tour, de 2003), e dificilmente este novo trabalho irá gerar uma excursão. Talvez pequenos shows nos EUA e Europa, ou aparições surpresas em premiações como Grammy, quem sabe?

Certa vez em uma entrevista nos anos 00, Bowie foi perguntado sobre seu processo de composição e ele disse: “sou egoísta, componho para mim, o que eu gostaria de ouvir”. E assim ele segue em seu 25º trabalho de estúdio em 45 anos de carreira, sem trair a si mesmo.

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