Max Viana, filho de Djavan faz homenagem ao pai com regravação de Samurai, em disco recheado de ritmos e climas

Ser filho de um dos ícones da música brasileira não deve ser fácil. As comparações são praticamente inevitáveis e a pressão para desenvolver um trabalho de qualidade enormes.

Felizmente, esses fatores não parecem afetar Max Viana, filho de Djavan, que lançou seu quarto álbum, Outro Sol, simultaneamente no Brasil e no Japão (onde a versão física chega ao mercado em novembro). Hoje, o disco pode ser encontrado nas plataformas digitais.

— É um disco que passeia por diversos estilos e explora a riqueza da MPB, que é a música que mais permite falar de tantos gêneros diferentes. Sou de uma época na qual a gente ouvia de tudo no rádio — explicou o músico.

A experiência de ter atuado como guitarrista do pai e já ter trabalhado com gente do calibre de Arlindo Cruz, Luiza Possi, Claudia Leitte, Ana Petkovic e Rappin’ Hood, além do próprio Djavan, é claro, trouxeram uma segurança e experiência que estão visíveis no novo trabalho.

Evoluindo

Produzido pelo próprio Max (assim como os trabalhos anteriores) e Renato Iwai, Outro Sol soa como uma evolução natural dos discos anteriores — o Calçadão (2003), Com Mais Cor (2007) e Um Quadro de Nós Dois (2011) — misturando jazz, soul, funk, samba e pop de maneira muito inspirada.

— Acho que é uma evolução natural. O tempo vai passando e a gente vai apurando algumas coisas. Ele tem umas coisas de arranjo que eu gosto mais, que são mais objetivas. Tem uma escolha de repertório que me grada muito e onde posso ter canções como Outro Sol, que remetem ao meu primeiro disco — revelou Max.

A mistura de influências começa logo na faixa-título (a primeira do disco), que traz aquele suingue dançante que deixa claro o pedigree (no bom sentido) de Max. Essa mesma linha dançante está em Tem Fé e Linha de Frente, fazendo uma trinca de abertura de muito peso.

Mas não são apenas os ritmos dançantes que se destacam em Outro Sol. As baladas Pontos de Partida e Tem Nada Não mostram que o talento de Max vai bem mais além do óbvio.

Tem nada não
Meu bem querer
Eu fico aqui até passar
Seu coração vai aprender a não se machucar

Um dia sol, um dia sem
Nenhum motivo pra nublar
Felicidade um dia vem
Pedindo pra ficar

Fim em alto nível

Se as baladas fazem Outro Sol subir de nível novamente, as duas últimas canções — o samba O Amor Não Acabou e a regravação de Samurai — fecham o disco com aquele velho chavão: “chave de ouro”.

O Amor Não Acabou é daqueles sambas com toques pop que não se ouve muito mais nas rádios. Longe do popularesco, a canção tem a elegância de um Paulinho da Viola, mesclado com uma contemporaneidade do Casuarina.

A parceria com Pretinho da Serrinha e Leandro Fab seria um encerramento perfeito para um ótimo trabalho, mas tem mais!

Samurai

Uma das canções mais conhecidas da MPB e da carreira do pai, Samurai ganha uma nova roupagem, mais balançante ainda, com um toque de modernidade, mas sem cair no pastiche ou soar oportunista.

— Quando estava fechando o repertório, uma pessoa da gravadora de lá perguntou se eu poderia regravar essa canção. Como é uma música muito emblemática do meu pai, não é uma que eu escolheria para gravar. Eles disseram que exatamente por isso eles achavam que seria bacana para apresentar no Japão. Gostei do desafio e meu pai gostou muito, até porque ela é muito diferente da original — revelou.

No fim, Max Viana oferece um trabalho de altíssima qualidade e com uma versatilidade capaz de agradar fãs de (quase) todos os gêneros.

No outro lado do sol

Aproveitando o lançamento simultâneo no Brasil e no Japão, Max embarca, em dezembro, para uma turnê do outro lado do mundo.

Fotos: Marcos Hermes

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