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Oktoberfest Rio termina com o rock brasiliense dos Raimundos e da plebe Rude

Noite roqueira teve clima de Rock In Rio

No último domingo, o bom tempo ajudou e a Oktoberfest Rio recebeu um bom público em seu último dia. E o rock dominou a programação, trazendo os paulistas do CPM 22 e duas gerações do rock de Brasília: os Raimundos, dos anos 90, e a Plebe Rude, dos 80.

Com a maior plateia do evento e uma programação roqueira, a festa da cerveja na Marina da Glória ganhou ares de Rock In Rio. Inclusive os dois primeiros estiveram juntos no RIR, abrindo o palco mundo no dia 28 de setembro. A Plebe também já passou pelo festival. Em 2001 se apresentou na Tenda Brasil, uma espécie de gênese do palco Sunset.

O CPM abriu os trabalhos ainda de tarde, agitando o público. Os Raimundos entraram às 19 horas (os horários dos shows nos domingos foram bem mais cedo do que nos demais) e era nítido que os brasilienses eram os headliners morais da noite, apesar de estarem abrindo para a Plebe. O show fazia parte das comemorações dos 25 anos do álbum de estreia. Todas as músicas do disco foram tocadas na ordem e com o baterista original Fred Castro de volta ao posto para a ocasião especial. “Fred é o irmão que nunca saiu da banda de verdade”, disse Digão, guitarrista, à frente da banda desde a saída de Rodolfo em 2001.

Do primeiro trabalho saíram as músicas que catapultaram o Raimundos para a fama, ‘Palhas do Coqueiro’, ‘Puteiro Em João Pessoa’, ‘Nega Jurema’. Ao introduzir ‘Bicharada’ o baixista Canisso brincou que hoje em dia não é mais possível fazer esse tipo de piada, não concluindo a execução da “pérola”. ‘Selim’, a música que desencadeou o sucesso do grupo nas FMs apesar do conteúdo para lá de impróprio foi cantada pela plateia a plenos pulmões. Digão a dedicou ao calçadão das praias do Rio de Janeiro.

Claro que o repertório do show não ficou restrito ao dèbut. Do disco seguinte, “Lavô Tá Novo”, vieram em sequência ‘Tora Tora’, ‘Eu Quero Ver o Oco’. ‘Reggae do Manero’, outra música que Rodolfo, hoje evangélico, certamente quer esquecer, continua fazendo sucesso, a julgar pelo coro do público no refrão. Bem mais light, ‘A Mais Pedida’, do álbum mais vendido do conjunto, “Só No Forevis”, também teve coro, só que majoritariamente feminino na parte em que Érika Martins fazia participação.

Foto: Natasha Maia

Badauí e Japinha do CPM22 se juntaram aos Raimundos em ‘Mulher de Fases’ e relembraram o RIR, quando dividiram o palco em uma azeitada parceria. O guitarrista do CPM também entrou na festa. ‘O Pão da Minha Prima’, ‘I Saw You Saying’ e ‘Me Lambe’ foram os outros hits que se enfileiraram no setlist. T Querendo Desquitar, uma não tão estourada do “Lavô”, encerrou o show com Digão mostrando suas habilidades na percussão (ele foi baterista da banda da fundação, em 1987, até a entrada de Fred em 1992).

A Plebe Rude é sem dúvida um dos nomes mais relevantes do rock Brasil, mas tocou para um público bastante reduzido. Se o representante do rock brasiliense dos anos 90 provavelmente tocou para a maior plateia do palco Brasil na Oktoberfest Rio, os conterrâneos dos anos 80 encontraram a menor. Mas isso não tirou o peso do show, que já abriu com o clássico ‘O Concreto Já Rachou’, faixa do álbum homônimo de 1986.

‘Johnny Vai à Guerra (Outra Vez)’, ‘Luzes’ manteve a animação do pequeno porém envolvido público. ‘Seu Jogo’, música de “O Concreto” que há muito tempo não era tocada ao vivo entrou no setlist, que também contou com a primeira música composta pelos rapazes, em 1981, ‘Pressão Social’. Também houve espaço para covers. ‘Beds are Burning’ do Midnight Oil foi dedicada ao radialista e DJ José Roberto Mahr, e o The Who foi lembrado com ‘Baba O’ Riley’.Já Pânico em SP foi uma óbvia homenagem aos Inocentes, banda de Clemente que agora integra a Plebe.

Foto: Divulgação Facebook

O show trouxe em primeira mão a música Evolução, que vai estar no musical da Plebe, dividido em duas partes, a primeira será lançada em dezembro e a segunda depois do carnaval. Felipe Seabra aproveitou ‘Censura’ para disparar uma crítica ao momento político por que passa o “achavam que nós éramos vidente mas na verdade o Brasil que não mudou”, disse. O show foi ficando mais quente conforme avançava, com a plateia ais empolgada. Nesse clima, Felipe desceu para o meio do público (sem dificuldades) em ‘Proteção’. ‘Até Quando Esperar’ fechou a apresentação, que no início dava impressão que seria capenga, mas o peso e a experiência dos plebeus reverteu completamente o jogo.

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Publicado por Cesar Monteiro

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