Oktoberfest Rio teve primeiro dia com a nata do Rock Brasil | Música | Revista Ambrosia
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Oktoberfest Rio teve primeiro dia com a nata do Rock Brasil

Ira, Humberto Gessinger e Barão Vermelho foram as atrações do Palco Brasil

A segunda edição da Oktoberfest Rio além dos mais variados (e melhores rótulos de cerveja, está trazendo grandes nomes do rock nacional.

A festa se concentra em dois pontos principais: o palco Alemanha, com atrações folclóricas típicas da colônia alemã no Brasil e da Baviera, e o palco Brasil que apresentou no primeiro dia três representantes de peso dos anos 80, o Ira, Humberto Gessinger, ex-Engenheiros do Hawaii, e Barão Vermelho. Coincidentemente, os dois últimos divulgando disco novo.

Ira! aposta em diferentes fases da carreira

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O Ira! fez as honras de abrir a noite. Diferente dos shows recentes em formato acústico, esse seguiu o tradicional formato eletrificado, com os hits da fase anos 80 e também os mais recentes, do reencontro da banda com o sucesso no início dos anos 00, na mesma época que os colegas de geração 80 Capital Inicial.

O show começou com ‘Longe de Tudo’, do álbum “Mudança de Comportamento”, de 1985, que deixa nítida a influência do The Jam na sonoridade dos paulistas. Em seguida veio uma mais ou menos recente, ‘Flerte Fatal’, de 2004. A hora de o público reagir de maneira mais efusiva foi no riff de introdução de ‘Dias de Luta’.

Ao contrário das outras atrações da noite, o Ira! não tinha novidade para mostrar no repertório. O álbum mais recente da banda é “Invisível DJ”, de 2007. Dele saiu a música seguinte, ‘Sem Saber Para Onde Ir’. Foi apenas uma pausa para retomar o greatest hits com ‘Flores Em Você’, essa acompanhada sobretudo pelo público mais velho, que se lembra de quando a música era onipresente nas rádios por conta da abertura da novela das oito da Rede Globo  O Outro, de 1987. Ao vivo Edgard Scandurra tenta compensar a falta dos violinos com sua guitarra.

‘Amor Impossível’, faixa de 1991 menos conhecida, foi a deixa para Nasi indagar se o amor hoje no Brasil ainda é possível. “Eu vou ser preso se perguntar isso?”, protestou claramente direcionando ao atual governo federal. Daí por diante, uma sequência de sucessos: ‘Tarde Vazia’, cantada pela plateia, ‘Rubro Zorro’, bem-vinda faixa do disco “Psicoacústica”, ‘Gritos na Multidão’, ‘Eu Quero Sempre Mais’, que caiu nas graças do público na versão do Acústico MTV com participação de Pitty (de tão boa que ficou a parceria, a cantora acaba fazendo muita falta ao vivo, mas a plateia ajuda).

Na reta final houve  aversão em português de ‘Train In Vain’ do The Clash, ‘Pra Ficar Comigo’, e cover de ‘I Feel Good’, de James Brown. ‘Núcleo Base’ encerrou, como de costume, mas ainda cabia um bis, que trouxe ‘O Bom e Velho Rock and Roll’.

Humberto Gessinger mantém viva a chama dos Engenheiros do Hawaii

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Humberto Gessinger entrou já detonando um dos hits mais emblemáticos dos Engenheiros, ‘Infinita Highway’. Com disco novo na praça, “Não Vejo a Hora”, lançado uma semana antes, apresentou logo em seguida a faixa do novo trabalho, Calmo em Estocolmo’. “Vou tocar várias coisas de diversas fases de minha carreira, principalmente daquele alemãozinho que eu não entendo o que canta e tocava errado”, anunciou Gessinger bem humorado antes da terceira música também foi da carreira solo, dessa vez do disco Insular, de 2013, a faixa ‘Bora’, e a seguinte, ‘Dom Quixote’, do álbum sucessor, o Insular Ao Vivo.

Evocou o orgulho de fazer parte da geração 80, junto com o Ira! e o Barão antes de tocar um cover de Índios. O formato da banda é em trio, como na ex-banda de Humberto e conta com Felipe Rotta na guitarra e Rafael Bisogno na bateria e na percussão. Em ‘Terra de Gigantes’, clássico dos Engenheiros cantado quase em uníssono pela plateia, Humberto troca o baixo pela guitarra e Felipe assume o bandolim. ‘Pra Ser Sincero’ e ‘Refrão de Um Bolero’ fizeram bonito junto ao público, assim como ‘Toda Forma de Poder’, que encerrou a apresentação.

As novas músicas são interessantes e é bonito de se ver um artista ainda com ânimo para apresentar novidades, após mais de trinta anos. Mas, sobretudo em um evento como esse, é natural que os sucessos do passado ganhem mais destaque e tenham uma recepção mais calorosa.

Uma volta dos Engenheiros do Hawaii parece mesmo descartada (por enquanto), mas Humberto consegue fazer um show que aquece os corações dos fãs saudosos e dos que não tiveram a oportunidade de ver a banda ao vivo, principalmente em seu auge, no final dos anos 80 e início dos 90.

Um Barão Vermelho bem à vontade

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O Barão Vermelho parece mais à vontade do que nunca com a nova formação. A última atração do palco Brasil no primeiro dia de Oktoberfest continua provando que se revigorou com a entrada de Rodrigo Suricato à frente e Maurício Barros oficialmente incorporado aos teclados (que já vinha fazendo participação como músico de apoio). Apesar de estar divulgando disco novo, preferiram atacar com uma certeira dobradinha de clássicos ‘Bete Balanço’ e ‘Por que A Gente é Assim’.

‘Meus Bons Amigos’ teve fotos de arquivo no telão, com Cazuza e a ultima trazia Peninha, o percussionista da banda falecido em 2016. Já em ‘O Poeta Está Vivo’, feita em homenagem a Cazuza mostrou no telão os dados do aumento dos infectados pelo HIV entre jovens, que dobrou desde 2007.

O Barão tem um arsenal invejável de hits que não foi desperdiçado. Estavam todos no show. Mas também houve espaço para covers que ganharam personalidade com a banda como ‘Tente Outra Vez’ de Raul Seixas, ‘Malandragem Dá Um Tempo’ de Bezerra da Silva (com Maurício assumindo os vocais) e ‘Quando O Sol Bater Na Janela Do Teu Quarto’, da Legião Urbana.

Até ‘Sympathy For The Devil’ dos Rolling Stones – a maior influência do Barão – apareceu como um aceno no final de ‘Puro Êxtase’ (aquele woo woo). Como ocorre tradicionalmente, ‘Pro Dia Nascer Feliz’ encerrou a apresentação sendo bastante adequada ao contexto dado que já era alta madrugada.

Com clima descontraído de jam o novo Barão deixou bem claro que não há o que temer a respeito dessa nova formação, que além de Suricato, tem Márcio Alencar substituindo Rodrigo Santos no baixo. Se é difícil imaginar que uma banda com mais de 35 anos possa se renovar apesar de perder algumas das peças chave, está aí o Barão provando que a química continua forte.

Fotos: Cleomir Tavares (reprodução)

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Publicado por Cesar Monteiro

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