Rock In Rio: Imagine Dragons faz show liderado por um emotivo Dan Reynolds | Críticas | Revista Ambrosia
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Rock In Rio: Imagine Dragons faz show liderado por um emotivo Dan Reynolds

O Imagine Dragons era, sem dúvida, a atração mais esperada do último dia de Rock In Rio, apesar de ser a penúltima atração a subir no palco mundo. O público que lotava a Cidade do Rock para vê-los era formado majoritariamente por adolescentes, jovens entre 19 e 24 anos e famílias, muitas das quais tendo pais veteranos do festival levando seus filhos para o seu primeiro. Talvez sentindo-se abraçado por essa atmosfera de harmonia vinda do público, o vocalista Dan Reynolds parecia mais emotivo do que de costume.

O show é dividido em cinco atos e abriu com ‘Believer’, música do penúltimo disco da banda,  “Evolve”, de 2017, em meio a efeitos de explosões de fumaça. Dan falou que ama o Brasil, que estava com saudade, e que na noite de ontem (6/10) cantaria o que está nos nossos corações, mentes e almas, sem discriminação de cor ou gênero, arrancando aplausos da plateia para em seguida introduzir o sucesso ‘It’s Time’, levando a massa ao delírio. Manteve a comunhão com os fãs em ‘Whatever it Takes’, ‘Natural’  (do álbum mais recente, “Origins”, de 2018) e ‘Gold’.

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Absorvendo o clima de pais e filhos do Parque Olímpico do Rio de Janeiro, o vocalista revelou que seu pai, que estava na plateia, morou em terras cariocas há 50 anos, e desde que regressou aos Estados Unidos não visitava o Brasil e esse é o primeiro reencontro dele. Dan reforçou sua declaração de amor ao país, revelando que, quando criança, sempre escolhia a seleção brasileira para torcer. “O universo me preparou para estar nesse palco hoje”, disse. “Espero que vocês sintam meu coração explodir por vocês nessa noite”, além de “isso é como um sonho para mim” foram outras frases usadas por ele para emocionar ainda mais a legião de fiéis.

Ainda no clima emotivo, só que direcionando para um viés de reflexão, Dan lembrou do amigo que cometeu suicídio e que ele foi a pessoa que mais o apoiou no início da carreira, assim como da esposa do irmão, que morreu de câncer no último ano. A música ‘Birds’ foi dedicada às pessoas que se foram. A partir dessa parte intermediária do show, o terceiro ato, houve uma certa quebra no ritmo, em uma sequência de composições sem muito poder de fogo. No início do quarto ato veio um bem-vindo reforço, o cover de ‘Every Breath You Take’ do Police. Mas foi na reta final iniciada com ‘Thunder’ e que a coisa realmente deslanchou. Daí seguiram ‘Zero’, divertida música da trilha de “WiFi Ralph”, e os grandes hits ‘Demons’ e ‘On Top of the World’. Dan brincou com o público, fingindo ter terminado o show. “Essa foi a última música”, provocou. A plateia prontamente começou a entoar o “oo o o o” da introdução de ‘Radioactive’, e, claro, foi atendida.

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O Imagine Dragons ao vivo mostra como Dan Reynolds leva a entrega na literalidade. Não só declarou amor ao Brasil, mas pediu um Rock In Rio todo ano, se enrolou na bandeira LGBTQ+, tirou a camisa no terço final do show. Em parte protocolar, mas em outra parte se deixando levar por uma emoção genuína. Há irregularidades no show como o recurso dos efeitos de fumaça e estouro de papel picado um pouco excessivo. E poderiam também distribuir melhor os hits ao longo do repertório. Essa concentração dos sucessos no final prejudicou um pouco a empolgação ali pelo meio. Mas o carisma descamisado de Dan e a conexão que as composições estabelecem com seu público garante o espetáculo na medida das expectativas. O vocalista fez um discurso logo após ‘Demons’ sobre ser forte, pois a vida definitivamente vale a pena, lembrando que ele próprio foi diagnosticado com depressão e ansiedade. Nesse caso, o palco foi sem dúvida uma eficaz terapia.

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Publicação Cesar Monteiro