Rock In Rio: Iron Maiden desfila heavy metal grandioso em noite de dois headliners | Música | Revista Ambrosia
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Rock In Rio: Iron Maiden desfila heavy metal grandioso em noite de dois headliners

Scorpions, inicialmente banda de abertura, toca depois e faz show completo

A expectativa da noite do metal do Rock In Rio 2019 (a primeira data com os ingressos esgotados) faz sentido. Desde 2015 o gênero com tantos adeptos fiéis não tinha um dia dedicado dentro do festival. Ontem (sexta-feira, dia 04) a Cidade do Rock recebeu no palco Sunset dois nomes do chamado Big Four do thrash metal: Anthrax, e Slayer, que fechou o palco fazendo sua despedida do Brasil, já que essa é a última turnê da banda.

No palco Mundo os trabalhos foram abertos pelo Sepultura seguido do Helloween, que veio substituindo o Megadeth. No caso, não foi apenas mais um shows dos alemães. Foi a celebrada “Pumpkins United World Tour”, com os ex-membros Kai Hansen e Michael Kiske se juntando à banda novamente para uma turnê mundial. E a alteração dos horários, colocando o Iron Maiden, que fecharia a noite, tocando antes do Scorpions, acabou presenteando o público com dois shows completos, numa espécie de dose dupla de headliners.

Pompa e teatralidade com os reis do heavy metal

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O Iron Maiden é figura fácil por aqui. Se for contar apenas o Rock In Rio, esse já é o quinto. A banda de metal mais amada do Brasil também esteve no evento em 1985. Mas o fato de não contar com ineditismo e nem mesmo com um longo hiato (a última turnê pelo Brasil foi em 2016) não impediu a ansiedade das 80 mil pessoas que compareceram no Parque Olímpico no Rio de Janeiro, muitas das quais chegaram ainda durante o dia, para garantir lugar bem em frente ao palco. Até porque os shows do Iron Maiden sempre trazem uma surpresa a cada turnê. Dessa vez o sexteto veio a bordo da Legacy of the Beast Tour, que nada mais é do que uma grande celebração da história do Maiden, mais ou menos como a Somewhere Back In Time de 2008/2009, só que mais grandiosa.

O show já se inicia mostrando todo o gigantismo da estrutura usada na nova turnê. Uma réplica em tamanho real de um caça da força aérea britânica da Segunda Guerra emerge logo após o discurso de Winston Churchill em ‘Aces High’, clássica faixa do álbum “Powerslave”. A Legacy traz toda uma forte teatralidade que era presente na turnê Fear of the Dark, a que antecedeu a saída do vocalista Bruce Dickinson. O elemento cênico é constante nas apresentações do Maiden, mas essa turnê reforça os holofotes nesse viés. Lá está Dickinson com um chapéu de piloto de caça na primeira música, exibindo seus conhecimentos de esgrima em ‘The Clansman’ e até travando um “duelo” com o mascote Eddie em ‘The Trooper’.

Além dos recursos de cena como o homem alado gigante em Flight of the Icarus, a pirotecnia de ‘The Number of the Beast’ e a imensa cabeça de demônio em Iron Maiden, a Legacy traz uma mescla de fases da donzela de ferro, não apenas os grandes sucessos, mas também faixas de álbuns menos prestigiados. Em meio às obrigatórias ‘2 Minutes to Midnight’, ‘Fear of the Dark’ e ‘Iron Maiden’, estavam ‘Sign of the Cross’, do “The X-Factor” e até uma do “A Matter of Life and Death”, de 2006, ‘For the Greater Good of God’. Ainda houve pérolas como ‘Where Eagles Dare’ e ‘Revelations’, ambas do álbum “Piece of Mind” de 1983, e a boa e igualmente pouco recorrente ‘Wicker Man’ do disco “Brave New World”, que marcou a volta de Dickinson e rendeu o segundo Rock In Rio da banda, em 2001 (show que inclusive virou CD e DVD).

Um Iron Maiden impecável foi o que os fãs viram na noite de sexta-feira. Bruce Dickinson cantando monstruosamente bem, aquela já famosa simbiose da cozinha, formada pelo baixista Steve Harris e o baterista Nico McBrain, e as três guitarras de Dave Murray, Jancik Gers e Adrian Smith se misturando lindamente. Eles se despediram com um até breve, dando a entender que essa turnê não será a última dos ingleses, como alguns especulavam. E os fãs já aguardam com a mesma ansiedade que aguardaram esse aqui.

Hard rock easy listening do Scorpions se refestela na nova condição de co-headliner

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Em um festival das proporções do RIR, com trinta e quatro anos de existência, as coincidências são inevitáveis. Assim como o Helloween, que tocara horas antes, o Socorpions vem da Alemanha, e junto com o Iron Maiden participaram da primeira edição do festival. A versão 2019 da banda se mostrou descontraída e feliz de voltar. Até a guitarra do Brasil de 1985 estava ali de volta. Como esperado, a aglomeração em frente ao palco Mundo diminuiu bastante depois da apresentação do Iron Maiden, mas isso não significa que houve debandada ou esfriamento do clima.

Sem horário contado para dar lugar a outra atração, houve tempo para montar seu próprio palco com tranquilidade e também entregar um show completo, como um segundo headliner. Assim, Rudolf Schenker, guitarrista e fundador, o vocalista Klaus Meine, o guitarrista Matthias Jabs, o baixista Pawel Maciwoda, e o “novato” Mikkey Dee (entrou em 2016) puderam se refestelar. A primeira música foi uma novidade, ‘Going Out With a Bang’, do último disco “Return to Forever”. Em seguida duas músicas do “Animal Magnetism”, de 1980, ‘Make it Real’ e ‘The Zoo’, e uma do “Loverdrive”, de 1979, ‘Coast to Coast’, para adentrar em um medley dos anos 70 com ‘Top of the Bill’/’Steamrock Fever’/’Speedy’s Coming’/’Catch Your Train’.

A felicidade de estar de volta ao Rio rendeu até um Cidade Maravilhosa, em um esforçado português de Meine e acompanhada pelo público. Mas a maioria dos presentes queria mesmo era ouvir as mais esperadas, deixadas para a metade final. ‘Send Me an Angel’, ‘Wind of Change’, e ‘Still Loving You’  ganharam coro e os celulares acesos de praxe. ‘Big City Lights’ e ‘Rock You Like a Hurricane’, que fechou a apresentação, colocaram a massa para sacudir a cabeça. O hard rock easy listening entregou o show na medida das expectativas do público, num clima bem mais leve do que as bandas que tocaram nos palcos Sunset e Mundo. Passados 34 anos, os senhores do Scorpions ainda embalam como um furacão.

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Publicação Cesar Monteiro